VORTÁR PÁRA ATRÁIS
VORTÁR PÁRA A PÁJINA PRINCIPÁL


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A DURA VIDA DOS CONDENADOS À MEIA EDADE

Meus cariscimos eleitores que me lêiem. Heis-me aqui de vórta. Já sentia muitas dôres de amôres — como diria o Luiz Meio-Dia — pôr farta de conversar com vocêis. Estive meio recolhido, após a úrtima edissão do TREM, quando eu discurcei sobre o quê se come-se quando se está perdido numa floresta. Desta vêiz, vou dizer sobre o que senti quando fui vizitár a "AMOSTRA INTERNASSIONAL DE ESTRUMENTOS MEDIEVAES DE TORTURA", lá no Muzeu Estórico desta simpática cidadesinha de sinjelo nome, Mococa, e que o meu acistente de ortografia do programa de com-puta-dor — gostáram do meu trocadrilho? É pára omenagear a amostra de tortura — inciste em mudar para "Motoca". Foi um expanto, para mim, que sou do bem, ver aquelas cadeiras, grilhotinas, marrêtas, galfos para cossar as costa do condenado, e outros barbarismos.
Pucha! Como o povo da Meia Edade sofria! Quer dizer, quem tinha um pouco mais de instrussão e conhessimento, como eu, ia parar numa Cadeira Exquisitorial!!!! Ou ser esticado até ficar parecido com uma salchicha!!! Ou perder a cabeça e os polegars!!! E os nêurrôneos do cara, como é qui ficava?
Bom, prá encurtar este preâmbolo, subimeti-me a uma seçãosinha de tortura. Claro, lá estava iscrito "AMOSTRA DE TORTURA". Eu não podia deichar escapár esta oportunidadi. Imbora era uma amostra de tortura, não vi nada torto, lá. Até um páu de empáular os coitado dos réls era muito do reto — êta trocadrilho infâme, este. Um amigo apostou que eu não conceguia ficar nem duas horas num daqueles estrumento.
Pois muinto bem. Pára mostrár a êle que minha mente espiritual é mais forte que meu corpo physical center, oltrapacei as correntes que impede o vizitante de vizitar os aparêlhos com as mãos, e fui-me até num que eu considéro o mais esdrúchulo de todos os que estão espostos, que é ezatamente um que está para o lado de fóra de uma jinela. Não sei por quê, mas colocaram um aparelho numa sacadinha que tem no Muzeu. Acho que por fárta de espásso.
O instrumento é simplézimo, nada mais que uma grade. Coloca-sse então os polegars entre os ferro e sólta o corpo pára baicho. A peçoa fica dipindurada, com o corpo balangando ao vento. É o mesmo suplíssio aplicado às roupas num varál. Meus amigos, é doido, mas é uma dor suportáveu. Só é ruim quando arguém fica perguntando quál a rasão de voce estar lá. Não dá prá converçar muito, pois é difíssil falar e ficar prêso ao mesmo tempo, ainda mais eu que sou meio italiano, e tenho de uzar as mãos pára falar. O suplíssio torna-se terrível depois de umas trêis ou quatro perguntas, todas iguál. O peçoal que pergunta não têm criatividade, é sempre a mesma coisa:
— Porque voce está ái? Tá doendo? Quér que eu assopre? ou
— Ólha, se quizér, eu fico do teu lado pára uma convercinha prá matar o tempo... ou
— É pênis-tênsia??? Guarda um pra mim...
Detesto piadinhas, mesmisses e babozeiras. Saco! Deicha eu sofrer em pás.
Depois, eu fui sentar na Cadeira Exquisitorial, que o Marselo Maxado — tinha que ter este sôbrenome, para apresentar esta esposissão, não é? — disse ter mais de oitossentos anos. Achei errado, pois com esses anos todos, já não é mais estrumento de Meia Edade, não é verdade?
Mas aquilo é bom demais, sô!!! As dôr que lá se sente-sse não é maior que as que se sente-sse quando se toma banho de duxa numa sáuna. Uzado com freguência, deve ser muito bão para ativar os xacras, os centros enelgéticos e nelvosos e pára-queda de cabêlo, pois é comporvado pela sciência que, maçageando arguns pontos do nosso corpo cabeludo, acába com a ceboréia, as caspa e a carequice.
Tem um muito do legál. É chamado Mesa de Esticamento. As mãos do sugeito são amarradas numa ponta da mesa, e os pés noutra. Aí, rodam uma manivela e o cara vai crescendo à razão de trinta centímetros pôr seção. Uma conta simples: voce tem um metro e setenta numa hora. Na outra, dois metros. Ou seja. Se tiveres queda para joga-dor (trocadrilho, jenti...) de basquete ou vôley, é só deitar na Mesa e despois entrar na peneira da selessão brazileira para realisar o sonho de jogar ao lado do Jiba, do Marselo Negão, do Náuber, do Xaquile Onill, do Máiquel Jórdão etc.
O peçoal da redassão estão me disendo-me que Meia Edade não é a mesma coisa que Edade Média. Eu não tenho minhas duvidas. É tudo iguál. Só que como uzo muito as fórmas clácicas da nossa língua e não as coloqueais, fica aparessendo que está incoreto. Putz! Estão sempre querendo puchar meu carpéte, esses "amigos".
Éssas que eu falei até que são das bacana. Mas tem umas muinto maldozas.
Até 1689, o estrupo não éra conciderado crime. Uma moça podia ser servissiada — isto não é outro trocadrilho, não — em prena rua da delegassia que não acontessia nada com o cara. É mais ou menos o que ainda hoje vemos nos jornals diários. Mas bastava a moça ter um filho desta uninhão carnál que os tribunals caíam de páu nela, literáumente. Esmagavam seus ceios, introdusiam dentro daquilo um estrumento chamado "Pêra Varginal" e davam umas vórtas numa rôsca. A "Pêra" então abria e escangaiáva com a mulhér.
Ruindade pura, não é mesmo?
Pára os hómens éra uma medida. Pára as mulheres, ôtra bem diferenssiada.
Outra muito da ruim: colocavam o condenado num gaiola e dipindurávam ela numa prássa púbrica. Como o cara não sabia cantár que nem os canarinho que muita gente ainda hoge prende, ninguéim dava bola nem comida nem bebida prá êle e êle acabáva morrendo por morte fatal, seco e repleto de óssos aparessendo. Qui nem os canarinho que muita gente ainda hoge prende.
O hómem é o lôbo do hómem.
Bão, meus ex-leitores — digo ex-leitores porquê como estou acabando a matéria, vocêis já não são mais meus eleitores... —, meu espásso acabô.
Quem sábe um dia eu vórto a falár sobre a danação divina, sobre as bruchas, os hómes curtos — no intelectual e no tamanho —, nas sciências proibitivas e nas condenassões brutáis que os hómens e mulheres da raça humana sófrem ainda neste fin de siècle, párodiando os francezes bélgas, que são muito dos diferentes dos francezes torturadores da Copa da Náique, oops, quer dizer, do Mundo.