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RANGO NA MATA E NA MATULA
Meus caríscimos leitores que me leiem, Kibon estar novamente entre seus
seios. Muita coisa agradável aconteceu nestes úrtimos dias. Primeiramente,
por quê recebi bastantes cartinhas de voces. Algumas dizendo que tenho
um istilo particular de me espressar, outras falando para eu falar sob
outros assuntos, só pra ver como eu me sair-me-ia. Mas não. Continuarei
discurçando sôbre comida ou, como diria em bom e velho ingrês, "above
food". Às veses, uma espressão numa língua pode não ser a mesma numa outra
diferente. É o caso que acontesse com paízes como a Linguaterra, a república
do Barein e o Brasil.
Bem, deichemos de papo furado. O negócio é: o que fazer se nos perder-mos-nos
numa floresta tropical, como tem acontessido com alguns ventureros de
fim-de-semana. E eu digo-lhes: não fiquem dezesperados. Há muito o que
se comer num lugar destes. Basta olhar pára tráz, pára a frente, pára
os lados, pára cima e até mesmo pára baicho. Mas o melhor lugar pára se
olhar-se é dentro da moxila. Primeira regra de sobrevivênsia: leve mais
que mapas, papel higênico, cigarros e revistinhas de "Cama Çutra", em
suas moxilas. Deve de levar tambéim algumas latas de salchicha, chocolates,
bolaichas, paças de bananas e coisas que não se pressize esquentar ao
fogo. Água é bom, mas é menos nesseçário. Tem muitos scipós numa matagal,
que contêem o prescioso líquido em abundânsia. Basta escolher o correto,
cortar com o facão e beber o que vai sair lá de dentro. Mas cuidado! Não
vái se enganar e cortar uma cobra gibóia. As Çociedades Protetoras aos
Animals podem não gostarem. Mas esta prática é muito da difícil. Só cegos
não vão distinguir uma cobra dum scipó igroscópico.
Mas soponhemos que perdeu sua matula. Perca total. Caiu ribanseira abaicho.
Aí, terás que tirar seus alimentos para comer, da própia Naturesa. Num
lugar acim, tem desde macacos até vermes de páu podre. Todos os animals
têim muitas subistânssias calóricas que podem ser o diferenssial entre
sua vida e sua mortandade. Mas para um viver, outro têm que morrer. Macaco,
é muito difíssil pegar. Paca, tatu, cutia não, todos têim tambéin suas
dificulidades para se pegar-se. O negóssio é partir para os vermes, que
não oferéssem nenhuma resistênsia à capitura. Procure um páu podre, parta-o
ao meio e verás muitos bichos primitivos. Um deles pode ser o que está
procurando para sassiar sua fome de comer. Com cuidado - para não esmagar
o verme, senão ninguém come, pois fica muito nogento - e sempre pegando-o
ele pelas estremidades, passe-o-lo pela chama de um isquero - serve aquele
que terás nas mãos para ascender os cigarros que não se isqueceu-se de
trazer - e dá uma flambada bem das boas, para eliminár os pelos urticantes
que podem terem. Se não, o verme, é só caír no teu estôgamos, e poderás
dar uma bela duma vomitada no cangote do (a) coleguinha.
Escolhas os vermes seguindo um padrão de cores: dos mais claros para os
mais claros ainda. Quantos mais branquinhos, siguinifica que são os melhor
para se comerem. Caso tenhas que ficar mais de treis dias perdido, é bom
levarem cobertor. Nas matas, ás noites, geralmente fas muito frio. Nestes
casos estremos, podem usar de uma estratajema indíjena: se aquecerem juntando
o grupo, ficando todo mundo pelados e se abrassando-se. Muita gente chamará
esta prática de abominável, de séxo grupal, mas não se esquente. Ou melhor,
é melhor se esquentar-se, senão morrem mesmo de frio.
Pode ser que andando pelas trilhas, pode acontesser de acharem uma cabana
abandonada. Normalmente quem paça por ela antes de voce, deicha algo para
se comer-se. Se, por um acazo achar comida, coma, mas reponha imediatamente,
pois atráz de sua turma perdida, haverá, com certesa, muitas outras. Sempre
deiche um recado de positivismo como, por exemplo: Abre aspa:
" Que bom que já xegou aqui! Já o imaginávamos morrido!" ou
" Aquela árvore tal têm uma casca dura e amarga, mas é bem gostosa,
se conceguir fazer uma sopa dela" ou
" Cuidado, que vimos meia dúzia inteirinha de cascavél na sala da
cabana." Fecha aspa.
Legal, não???
Tenho uma outra amiga Ångstroniana-maníaca, que escreve tão bem como eu
e adora me mandar cartinhas anônimas. Como trabalha num importante setor
da curtura de uma cidade que ela não quer que sê revele o nome, sempre
dis que:
" Curtura é curtura, não importa, como."
Ela é muito golosa!!!
Ela prescreve uma esselente reseita para os ventureros perdidos. É mais
ou menos acim:
"Pegar os vermes, laválos em água bundante e deichar secar com um pôco
de sal. Temperar com mel (que se acha na mata) e fritar em banho-da-maria
até dar liga."
Áí, é só comer.
Hummm! Parece gostoso, não?
Acho que vou me perder-me num mato só para provár dessa delíssia.
Bem, meu espasso acabôu. Até no mês que vem, têim mais. Meus encontros
com todos, por tanto, será menstrual.
O curço de culinária Ångstroniana até lá ainda estará de pé.
Pára todos os que me lêram, termino alembrando uma frase em ingrês inteligente
da minha amiga, a da carta anônima. Abre aspa:
" My well. In a dip fóresti, be care if yourself. We see we hound'bâut
midnâit. Quisses two - ór four - all." Fecha aspa.
Ou seja, literaumente:
" Meu bem. Num mato fechado, se cuide-se voce mesmo. Nos vemo-nos
por aí, por vólta da meianoite.
Beijos a ou para todos."
Suas sujestões continúão cendo importantes. Escreva-me, fone-me ou me
mande-me um i-meio. Ou um in-têro. Se um dos meus leitores que me lêiem
acharem algum errinho - sim, por quê eu sou humano, eu érro, tambéim -,
por favor, acinalem-lo, para eu não errá-lo nunca jamais, está bem???
Ah! Esta matéria cerve para os curços de redassão como modêlo de cíntese
estilístico. Nem percisa de me comunicar-me. É de grassa. É a minha contreboição
para as curturas de maça.
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