VORTÁR PÁRA ATRÁIS
VORTÁR PÁRA A PÁJINA PRINCIPÁL


Toni Q'uéloguis é nosso correspondente desde adolescente, quando ainda escrevia seu nome e poesias porno-erótico-religiosas nas cadeiras da escola de uma obscura cidade do Texas ou Nebraska, talvez, embora ainda não tenha muita certeza disso. Americano, portanto, mas nunca ufanou-se desta condição idiota que os pais lhe impuseram. Por isso mesmo mudou-se para o Brasil. Aqui fez carreira sólida e definitiva, embora continue comendo sucrilhos. Dono de um estilo literário forte e pessoal, assim como seu hálito, Toni tem arrancado do fundo da alma de nossos leitores suspiros os mais sinceros. Busca no cotidiano a matéria-prima para suas crônicas sempre muito cheias de informação, finamente desenvolvidas e delineadas através de suas bem pontuadas frases e pensamentos claros. Toni Q'uéloguis é um dos nossos melhores articulistas.

Em tempo, e pra livrar a minha cara. Foi o editor quem mandou fazer esta apresentação.
Assinado: eu, o modesto responsável por colocar esta coisa no ar.
Lá vai.

VORTÁR PRÁ NÃO FAZER VORTÁR

Meus cariscimos eleitores que me lêiem. Vortei com força total, pois recebi um montão de cartinhas muito das elegantes pedindo pra eu vortár a escrever com a freguência que eu mantinha há uns tempos atráiz. Máis, poréin, contudo, todavia, entertanto, a vida fica compricada, na medida em que nóis tomamos a responssabilidade prá cima de nossas cacundas, taméin conhecidas como "costas". Aí, num sobra muinto tempo prás palavras.
Bão. Vamos ao que intereça. Meu açunto hoje é as eleissões municipais nas cidades onde existem pessoas que vórtam. Todos nóis sabemos que as maiorias dos brazileiros maiorais de desesseis aninhos e mais de um metro e quarenta de artura ou de mais de trinta a quarenta quilos, pódem e dévem vortár, não é mesmo? Vortár é um direito, um dever e uma obrigassão. Pois sómente desta fórma não fazeremos aqueles pécimos políticos vortár para dentro de uma adiministrassão municipál. É. Aqueles que não sabem mecher — taméim coinhecido como adiministrar — com os dinheiros púbicos, que são os dinheiros que nóis perdemos quando conceguimos pagar os IPTU. E ficamos com os bôrsos vasios, pois os dinheiros, quero frizar, vai todos eles para o cofres púbicos e que, como todos nóis sabemos, é um saco sem fundura.
Perseberam agora porquê quando a gente fala em dinheiro púbico, as peçoas vomitam e ruminam sempre a sélebre fraze:
"— Ô cassête... esquessi que eu perciso engordar os sacos (cofres) púbicos". Fecha aspa.
Intereçante, não?
E lá vai dinheiro pros imbóstos, prá carçada, pro asfálto, prás contas mau gerênciadas, pro ralo. Do bôrso pro saco púbico, um pulinho, de tão perto. Já fizeram o teste? De indentro do bôrso, se concegue-se sigurar o saco púbico. Mas quem meche mesmo nos nossos sacos púbicos são os adiministradores.
Pergunto: Será que eles estão assegurando bem os nossos sacos púbicos????
Por tanto, meu lema este ano é: "VORTÁR PRÁ NÃO FAZER VORTÁR". Fecha aspa. Bom isso, não?
Si a gente vórta conssiente, não correremos perigu di ter adiministrador púbico incompenitente nas perfeituras, qui é o local onde ficam o perfeito.
Eu, cá cumigo, não sou muinto de ir nos comíssios, não. Muinto porquê eu já axo um descabimento o apelido de "perfeito" prá um caboclo dirigir uma cidade. O perfeito devia ser, como o nome já dis, perfeito, mais não é. Olha a mintira aí, já lógo no nome do cara.
Despois vêm o nome dos canditatos pára ocupar uma cadeira na Cama de Vereadores.
Outro descabimento: uma cadeira na cama. No mínimo, sem sintido. Outro dia fis um teste e botei uma cadeira na minha cama — e que num deve ser diferente da cama dos vereadores — e sabem o quê me aconteceu-me? Fiquei total e bissolutamente sem equilíbrio e quase caí de lá de cima. Quebrava um osço, si não me sigurasse beim na cabesseira da cama, feita em madeira de leis, as mesma leis da qual fazem a Cama dos Vereadores. Ora, si eu quase arrebentei com minha cabeça, o mesmo poderia acontesser com os Vereadores em sua cama. E aí, não averia lei que desce geito.
Fui à dois comíssios, inté agora. Mais fiquei muito do xateado com o que vi lá. Não vôu mais em neinhum. Tinha menas gente que em velório de páu-d'água. Podia passar pelo meio do comíssio com o carro que não se ia-se atropelar-se ningém. Éra só um falatório que num tinha final sobri o pograma de govêrno, aléim de música pagodêra. Eu num descriminalizo neim um neim outro, mais não ter mais que uma dúzia de gente é dóze. Ou melhor, é doze. Genti, é só um trocadrilho...
As frazes e os pogramas que eu houvi. Lá vai:
— Vamos botar luiz mais crarinha nas rua onde voce mora.
Será que só nossas ruas é que meréssem a luiz crarinha? Não éra melhor botar um póste bem álto em cada canto da cidade com aquelas luizes de campo de futeból??? Se lá funssiona, porquê é que na nossa cidade não vai funssionar??
Outra fraze:
-— Imprantaremos uma pulsêra gigantezca da marca "SABONA" na entrada da cidade — qui serviria como viadurto pros pedestres a pé taméin —, móde qui todo mundo qui chegar aqui vai ter qui passár por dibaixo dela, prá acabár com as energias negativas que aquí chegar.
Abro aquí um parente para diser que nesta prataforma o canditato se ferrou-se, pois será que ele não sabe que as correntes elétricas é feitas com energias positivas e negativas? Como é que ele vai botar luiz crarinha nas nossa rua, então????? Contracenso puro.
Mais frazes.
— Somos ao favor das ecolorgias. As prantas e árvores prantadas a partir de agorinha mesmo, não poderão mais serem pordadas muinto menas serem arrancadas.
E eu compréto: vai ver que é prá que as orgias ecolórgicas acontessam realmente, por debaicho delas. Outra:
— Não se vão ainda. Temos que discutir os pobremas da sua cidade. Trága seus pobremas prá discutição.
Mais uma.
— Na minha perfeitura ningéim vai dever mais do que póde pagar...
Ésta eu não entendi... comé que ele sabe quanto é que eu pósso pagar?????

Estão disendo que agora, nas época dessa tal de Internete tem até canditato virtuál, que está fasendo a campanha via e-meio. Hóra, se fôr do meu partido, ótimo, pois ele tem muintas virtudes mesmo e ele têm mais é que internetar elas nas nossas mentes. Se fôr de outro partido, disem as máis língüas que o cara nem sabe escrever, nem muinto menos ler, neim muito menos fazer conta da próva dos nove. É um zero à direita, o canditato. Mais tenho a certesa que ele fazerá muito sussesso no município do lado, si ele for muito bem vortádo por lá. Como não gosto de derrotas de ningéim, eu espero que ele conciga seu intento e vire perfeito daquéla cidade. E que ele se cerque-se de bons assessuores, qui são as gentes que realmente adiministram uma cidade.
Porquê é que é os assessuores os verdadêros adiministradores? Hóra, hóra, hóra...
Por quê o própio nome já dis.
Vêm do latim
"asse"
= assar, queimar os neurrôneos, botar a maça cefaléia prá funcionár e
"suor"
= labutar, dar duro, tornar a coisa púbica a mais tramsparente possível. Ou serja: mostrar, por exempro, os sacos púbicos prá que todos os mundos o veja como ele está sendo manipulado. Fecha aspa.
Uma coisa. Péssa pro seu canditato mostrár como é que ele vai mecher nos sacos púbicos. Coforme fôr, mude de idéia e vórte em outro nome prá perfeito que sabe mecher nos nossos sacos púbicos.
Prá terminár.
Ser assessuor é disdobrár em cem, prá que nóis, abitantes das cidades, pagadores dos imbóstos e trabaiadores da nassão, tenhamos uma vida dígna e boa e fárta e béla.
Ser assessuor é ser perfeito. Com trocadrilho ou não. Se nao fôr perfeito, nem muinto menos onesto, não é trocadrilho, é troquadrilha...
Vamos vêr se agora eu concigo escrever mais rapidamente. Fis um curcinho intencivo prá escrever com ambas as duas mãos. Agora, inquanto uma escreve o comêsso, a outra já termina o fim.
Fiquem todos com meus mais cinceros vórtos de bôas eleissões. Serja com vórto eletrônico ou não.
Beiginhos e comprimentos deste aquí que vôz escreve e que dás maiorias das veses é o porta-vóses de seus reclamos.

Continuem mandando as cartinhas. Se por um acaso infelis do destino eu cometi algum errinho gramatical — se lembre-se de que sou umano, por tanto, érro taméin —, aponte-me-os que os corregirei nas próscimas crônicas, combinado?