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- Paulo Palladini
O vôo
da águia
Tudo se relaciona. A tese é discutida no livro de Leonardo Boff,
O Despertar da Águia (Editora Vozes); retomada e aprofundamento
de A Águia e a Galinha. O fato de figurar na lista dos livros mais
vendidos é indicativo da forte demanda por esse tipo de reflexão.
Em suas páginas Leonardo vislumbra o surgimento de uma nova civilização
“mais sintonizada com a lei fundamental do universo que é
a panrelacionalidade, a sinergia e a complementaridade. Será a
civilização da re-ligação de tudo com tudo
e de todos com todos”. O pensamento não é original,
mas é retomado aqui com muita clareza e como uma saída (
a saída) possível para nossa civilização sem
horizontes, dominada por tanatos, o instinto de destruição.
Quando fala em globalização, por exemplo, Boff acentua a
tônica competitiva, que envolve esta sociedade mundial na atualidade
e assevera que ela dará lugar a uma globalização
cooperativa, “estruturada ao redor da produção do
suficiente para todos”. Segundo sua análise, as bases sobre
as quais se assenta a globalização competitiva de hoje são
poderosas, mas caóticas, excludentes e destrutivas. Deverão
dar lugar a outro processo, mais integrativo, inclusivo e construtivo.
Porque homem e universo constituem-se dialeticamente e esta dialética
implica no reconhecimento das pessoas, em qualquer parte do mundo e sob
qualquer condição social, como “sujeitos de direitos
incondicionais” e sob o signo da “compaixão universal”.
Para Boff esse processo deve instaurar novas relações entre
os homens, “não mais na forma de dominação/exploração
sobre as pessoas e a natureza, mas na forma da mutualidade e da colaboração
entre todos os povos”. Miragem? O próprio autor faz o alerta:
“ou criamos nova luz ou vamos ao encontro das trevas”. O planeta
sofre terrivelmente o esgotamento irresponsável dos recursos naturais.
Várias espécies animais e vegetais estão em extinção,
áreas gigantescas de florestas são dizimadas e desertificadas.
O lixo, cada vez mais perigoso, pois mais tóxico, acumula-se em
amontoados sem fim. As grandes cidades já não têm
onde colocar suas milhares de toneladas de lixo produzidas diariamente
e a água envenenada constitui um dos grandes desafios futuros.
Há esperança? Boff responde: sim. E completa: nos insatisfeitos
com a situação atual, nos portadores dos sonhos e utopias,
naqueles que “irradiam uma nova vitalidade em tudo o que pensam,
projetam, fazem e celebram”. Nos que ousam organizar suas vidas
em torno de certos valores e práticas, em certa “veneração
do Mistério”. Essas pessoas existem e estão espalhadas
por toda a superfície da terra, trabalhando na edificação
da nova civilização planetária, sob o signo da solidariedade,
do respeito e da valorização de cada ser. São águias,
e começam a preparar o vôo.
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Paulo Palladini
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