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- Paulo Palladini
A
visita de Mandela
Quando presidente Nelson
Mandela, da África do Sul, esteve em visita ao Brasil. Veio em
viagem oficial, mas também em lua-de-mel, recém-casado que
estava com a moçambicana Graça Machel. Mandela tinha então
80 anos, um terço dos quais vividos na prisão. Ele já
era uma personalidade mundial, que ajudara a escrever um dos mais belos
capítulos dos direitos humanos, lutando intransigentemente contra
a injustiça social e a intolerância racial. Como líder
do CNA ( Congresso Nacional Africano) dedicou sua vida à luta contra
o regime racista branco da África do Sul, primeiro através
das armas, depois escolhendo a via pacífica. Por isso foi agraciado
com o prêmio Nobel da Paz. Na década de 60 foi preso e condenado
à prisão perpétua, mas libertado em 1990 em meio
às mudanças políticas em seu país e no resto
do mundo. Houve muita pressão internacional pela revisão
de sua pena. Como o homem que encarnava a oposição a um
sistema racista desumano podia ser condenado? À aquela altura ele
já se tornara o símbolo da resistência à opressão
sobrevivendo a 28 anos de cativeiro. Reconsiderou também suas posições
mais radicais e passou a acreditar numa solução política
para o problema do apatheid. Queria uma África do Sul para todos.
Ganhou a simpatia de outras lideranças mundiais, que viam no regime
segregacionista a degradação da condição humana.
Entidades de defesa dos direitos humanos como a Anistia Internacional
fizeram campanhas no mundo todo pela libertação de Mandela.
Aqui em Mococa um pequeno comitê foi organizado por Ana Palladini,
membro da Anistia e, na época, integrante do movimento negro local,
a recém-fundada Acarhanm. Em 89, logo após as comemorações
dos 100 anos de abolição da escravatura no Brasil, os movimentos
negros fortaleceram-se em várias cidades. Em Mococa houve um impulso
inicial, mas o movimento se extinguiu devido ao esvaziamento de seu caráter
político. O fato é que Nelson Mandela foi libertado e deixou
o cárcere para se tornar o primeiro presidente pós-apartheid
da África do Sul. Na viagem ao Brasil ele foi recebido como chefe
de estado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, mas também
teve encontro com o líder da oposição ao governo
Luís Inácio Lula da Silva. Tanto um como outro apoiaram
sua luta pelo fim do apartheid. Terminada a visita Mandela partiu para
a Argentina onde assistiu, como observador, a uma reunião do Mercosul;
de olho numa provável integração África-América
Latina. Levou consigo, além do carinho dos brasileiros, projetos
bem sucedidos na área educacional.
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Paulo Palladini
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