Voltar - Paulo Palladini

É ver dever de ver verde!

Leio n’A Mococa que minha cidade, em cerimônia realizada no auditório do Anhembi em São Paulo, com a presença do governador José Serra, passou a figurar entre aqueles certificados pela Secretaria do Meio Ambiente como Município Verde Azul. Pelo que entendi, a certificação, ao tempo em que reconhece esforços por melhora do meio ambiente, é compromisso publico pelo avanço e elevação da questão ambiental. Em seu texto no mesmo jornal Giovana Colpani Becker, coordenadora do meio ambiente de Mococa, destacou as metas do Estado de São Paulo para 2010: Projeto Criança Ecológica, Arborização Urbana, Coleta Seletiva. Três grandes metas. Imagem de infância: brinco com meu primo Ermani na Avenida da Saudade, vejo árvores dos dois lados e em toda a sua extensão; a densa sombra deixa a rua muito fresca e agradável. Hoje temos graves problemas de arborização. No campo as árvores estão desaparecendo, substituídas por canaviais. Na cidade a maioria da população ainda não se compromete com uma visão ecocentrada da questão urbana. Uma calçada estourada pelas raízes de uma árvore causa mais preocupação que a derrubada de uma sibipiruna. Num morno domingo à tarde, motosserras retaliaram e puseram abaixo duas figueiras enormes. Quando acordamos já era tarde demais. Outras figueiras e flamboyants tombaram da mesma maneira. Por isso a luta pela preservação da figueira bicentenária do Jardim Morro Azul, empreendida pela associação de moradores do bairro é luta simbólica da maior relevância. Sinaliza um ponto de vista, uma bandeira empunhada pelo cidadão comum, que acredita na força da organização e da união. É preciso preservar uma figueira para amanhã multiplicá-la por dez, por cem, por mil. Giovana lembrou exemplos pioneiros como os defensores dos parques ecológicos Jardim Morro Azul, São Sebastião, José André de Lima e São Francisco. Lembro outros dois exemplos pioneiros: Pedro Fogaça e David Campanhã. Quando a consciência ambiental ainda engatinhava, Fogaça e David, cada um à sua maneira, lutaram para que a idéia de um meio ambiente equilibrado fosse incutida nos corações e mentes de nossos cidadãos. Fogaça, artista plástico, tornou a ecologia o tema de seu trabalho. Pintou centenas de vezes as árvores das nossas praças e fazendas. Sol e lua, árvores, árvores e mais árvores, pedras. O jornalista David Campanhã fundou o Movimento Ecológico Livre de Mococa, o MEL, responsável por importantes campanhas de conscientização e por defender um pensamento ecológico amplo, para além do horizonte das matas e nascentes. Para ele, o meio ambiente era o meio inteiro, como para Caetano a meia lua é meia lua inteira. Ana Palladini foi uma de suas grandes incentivadoras e colaboradoras.
O título desse artigo foi inspirado num poema que Carlito Maia rabiscou em folha de papel, quase inadvertidamente, e entregou a Ana. Era um evento político no ano da graça de 1992.

Leia pc.palladini.zip.net
Paulo Palladini