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Tropicálias em 1993 1968. Concretizado no LP Tropicália o movimento que viria abalar os alicerces estéticos da nossa cultura, a exemplo do que já ocorrera na Semana de 22. Um ano antes o terreno fora preparado com as apresentações de Domingo no Parque – O rei da brincadeira/ Ê José/ O rei da confusão/ Ê João – de Gilberto Gil e de Alegria Alegria – Caminhando contra o vento/ Sem lenço sem documento – de Caetano Veloso. As canções foram apresentadas no sempre-vivo Festival da TV Record de música popular, então vencido por Edu Lobo com Ponteio. Quem cantou a cantada foi Marília Medalha. O tropicalismo assimilou e sintetizou várias tendências estéticas musicais. Os poetas Torquato Neto e José Carlos Capinam, maestros Rogério Duprat e Júlio Medalha e o compositor Tom Zé participaram ativamente do movimento, que teve pontos de contato com o novo cinema de Glauber Rocha e com o teatro de José Celso Martinez Corrêa, a arte plástica de Hélio Oiticica, a poesia dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. Com as prisões de Caetano e Gil em 1969 e o conseqüente exílio londrino o tropicalismo perdeu força como movimento, mas firmou-se como influência na cultura brasileira. Na London London os dois baianos ainda encontraram o som perdido dos jamaicanos: uma força estranha chamada reggae. Então, o reggae vazava das janelas baixas e dos prédios de tijolos vermelhos. 1993. Exatos vinte e cinco anos depois os mesmos Caetano e Gil lançaram Tropicália 2; o mesmo espírito, a mesma miscelânea sintética caótica. Mas já não caberiam mais maracatus atômicos debaixo dos caracois, luvas, unhas negras, gotas de chuva. Os dois baianos firmaram parcerias em Haiti, Cinema Novo, Dada. Houve a letra de Arnaldo Antunes em As Coisas. Jimi Hendrix, colorido e pálido, reapareceu em Wait Until Tomorrow. Xô xuá/ Cada macaco no seu galho/ Xô xuá/ Eu não me canso de falar, repetiria sem parar um caudaloso Riachão. 1955 foi a era das vanguardas: no Parque Nacional, os irmãos Villas-Boas; na Biblioteca Nacional os irmãos Campos; na Rádio Nacional Ângela Maria e Cauby Peixoto. Roberto Silva é uma sombra da ponte que leva de Orlando Silva a João Gilberto – uma linha evolutiva não presente na consciência dos outros grandes da época, que só viam o lado americano da modernização: Alf, Alves, Farney. Os Cariocas. O Tao é uma invenção do homem oriental. O baião é uma invenção do homem do sertão. O Tao do baião será sempre um caminho musical na história universal. Djavan é timbre áspero em nota doce. Caetano ensaiou com João, que ensaiou com Caymmi, que, segundo o próprio, já nasceu ensaiado. Este sapo cururu/ não anda de bicicleta/ Mas ele anda dizendo/ que a lua é careca/ Se a lua fosse careca/ ela usava cabeleira/ Ai meu Deus como é bonita/ A Bandeira Brasileira. Pois é. Fim da história. Leia
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