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Tiririca me faz chorar O palhaço Tiririca não me faz rir, embora até seja engraçado. Ele me faz é chorar. Dei esse titulo ao artigo porque lembrei-me de um velho texto do amigo Valdo França, exatamente: Chiririca me fez chorar. Nestas eleições Tiririca me faz chorar; o palhaço Tiririca. E por que? Não poderia ser apenas mais um lance pitoresco na seara eleitoral? Como tantos outros? Poderia, mas essa candidatura é emblemática. O candidato a deputado federal se apresenta como palhaço; vestido de palhaço, falando como palhaço. Alias falando as mesmas palhaçadas, como estivesse num picadeiro. Claro, se ele se apresentasse de terno e fala coerente, ninguém o reconheceria. Porem, o palhaço Tiririca já é conhecido nacionalmente; tem uma identidade estabelecida. E é essa identidade que ele pretende levar para o Congresso Nacional. Se eleito for, não será deputado o cidadão na plenitude de seus direitos, mas o palhaço Tiririca. Ele é quem estará representando largo segmento da sociedade. E isso, concretamente, não é bom para a nossa democracia. Pode-se argumentar que sua candidatura é tão legítima quanto a de qualquer outro. Mas ele está nos vendendo gato por lebre. Quando terminar o espetáculo e ele se livrar da indumentária, quem será? Bobo ele não é. Numa de suas inserções no programa eleitoral gratuito pela TV ele apareceu ladeado por dois palhaços mais velhos, que apresentou como sendo seu pai e sua mãe. Foi muito irônico. O que ouvimos, durante toda a campanha, se não que os feitos de governo têm pai e têm mãe nesse nosso Brasil varonil? Tiririca mostra a que veio. É um personagem, nisso não quer enganar ninguém, presumo. Diz nada saber das funções parlamentares e sua plataforma é ajudar a família a melhorar de vida. Simples, singelo, direto. O encantador Tiririca. Que declarou à Justiça Eleitoral não possuir nenhum bem. Então ele é o protótipo do candidato ideal: origem humilde (Ah! Como os eleitores gostam de origens humildes!), simplicidade (descomplicar a vida é preciso), sinceridade (os eleitores gostam de candidatos sinceros). Pois, com tudo isso, Tiririca me faz chorar. Faz porque é vazio, não tem nada a oferecer, senão a própria ignorância. Faz porque é um palhaço, e meus conceitos me impedem achar que um palhaço pode ser um bom legislador. Lembremo-nos de todos os outros palhaços que também chegaram lá. Nada fizeram de relevante a não ser aviltar nossa consciência democrática. Se ele se apresenta como palhaço é ao palhaço que me dirijo. Isso não é ataque pessoal, mas à representação simbólica que ele adquire perante minha consciência. Nossa legislação eleitoral permite essas e outras. Estou cansado. Amanhã, talvez eu mesmo seja um desses desiludidos com a política. Que anule votos e desacredite de nosso processo eleitoral. Eu, que amava tanto as revoluções, embora não tenha feito nenhuma. Ao privilegiar imagens em detrimento de conteúdos mostramos o quanto estamos mal e longe, muito longe da verdadeira democracia. Se fazer samba não é contar piada, imagine elaborar leis para um País tão complexo e grande como o Brasil! E se o palhaço resolver ser presidente da república? Ele pode, não pode? Não está tudo conforme a lei? E resolver levar os pais para o Palácio do Planalto? E os amigos de picadeiro? E levantar lona na Praça dos Três Poderes? Caros leitores, não riam. É de fazer chorar. Leia
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