Voltar - Paulo Palladini


SUCESSO E FRACASSO

Sucesso e fracasso caminham lado a lado. Estão muito mais perto um do outro do que podemos admitir. Duas atletas brasileiras, participantes do Campeonato Mundial de Atletismo, realizado em Daegu, Coréia do Sul, são a prova mais recente desta afirmação. Ambas são atletas de ponta, ambas tinham chances de ganhar medalha de ouro em suas respectivas modalidades. Uma salta distância, outra, altura. Maurren Maggi e Fabiana Murer. Há apenas três anos atrás, nas Olimpíadas de Pequim, Maurren saíra consagrada por conquistar a medalha de ouro no salto em distância. Fabiana fracassara, confundida por varas que não eram suas,  mal entendidos e mal explicados. Ambas choraram. Uma de alegria e triunfo, outra de tristeza, raiva e frustração. Nos últimos dias tudo se repetiu; ambas choraram, uma de alegria outra de tristeza. Só que quem triunfou foi Fabiana Murer, quem fracassou desta vez foi Maurren Maggi. Maurren havia começado bem sua prova de salto em distância. Passou para a fase final com o melhor salto entre todas as competidoras: 6,86 metros. No momento de disputar a final fez tudo errado. Queimou nas duas primeiras chances, e no salto que restou marcou muito menos que na primeira fase: 6,17. Isto é, só piorou. Terminou em decimo primeiro lugar. Fabiana, como Maurren,  também passou bem para a final. Só que foi estabelecendo marcas crescentes em saltos sucessivos até chegar a 4,85 metros. Ninguém a ultrapassou, nem mesmo a super-campeã russa  Ielena Isinbaieva. Fabiana foi determinada e precisa. Como se deve ser em situações assim, principalmente de alta competitividade. Maurren estava insegura, não foi veloz, pisou fora das marcas, desperdiçou energia. Sucumbiu a si mesma, às suas próprias tensões. Tanto que a campeã do dia, a americana Brittney Reese saltou 6,82 metros - menos que Maurren na fase eliminatória - e levou a medalha de ouro. Nossa campeã brasileira foi derrotada por ninguém menos que ela própria. Por seu excesso ou falta de confiança. A medalha de ouro,  conquistada brilhantemente por Fabiana Murer, é a primeira medalha de ouro do Brasil em campeonatos mundiais de atletismo. É conquista inédita. É também a primeira medalha feminina. Já havíamos ganhado pratas com Zequinha Barbosa, Claudinei Quirino, Sanderlei Parrela, Jadel Gregório. E já havíamos ganhado bronzes com Joaquim Cruz, Zequinha Barbosa, Luiz Antônio dos Santos e Claudinei Quirino. Nenhuma mulher. Agora é a vez das mulheres.  Elas agora são ouro em mundiais de atletismo. Não fosse o fracasso de Maurren num dia ruim o triunfo seria duplo. Ela tinha e tem todas as condições técnicas para tal conquista. Tanto que já provou que tem nas Olimpíadas de Pequim. São mulheres, mulheres brasileiras

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Paulo Palladini