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Enquanto seu Serapião não vem Sem querer vejo-me no lugar do cronista-titular desse pequeno canto de página: o famoso e inconfundivel Serapião do Brejo Alegre. Ignoro para onde ele foi. Deve estar pelaí. O fato é que deixou um vazio espacial e sentimental do qual, certamente, nossos leitores se ressentem. Porque Serapião não só é do Brejo Alegre, um lugar de muita alegria como o próprio nome indica, mas ele próprio cultiva o bom humor. Toda semana costuma trazer seu estilo de escrever simples e direto para deleite de seus fiéis leitores. Dos três textos que compõem a pagina 2 deste jornal, o dele vem em primeiro lugar, o meu em seguida e o de Ana Maria Zaferino logo abaixo. Desprovido do mesmo senso de humor que Serapião, vi-me na contingência de colocar ali, onde suas agudas observações do cotidiano de uma pequena localidade costumam reinar, meus próprios escritos. Na verdade, não me propus substituí-lo, tampouco rivalizar com ele. Tudo foi obra do Editor, que houve por bem promover-me a primeiro texto da página 2. Enquanto seu Serapião não vem. Enquanto o mirador de pessoas e suas idiossincrasias não volta. Com seu jeito de mágico de circo, de cuja cartola tira cobras e lagartos. E também doces coelhinhos brancos. Como Julio Cortazar no conto Carta a uma Senhorita em Paris: Serapião também tira coelhos da garganta; e das orelhas. E faíscas dos olhos, lampejos de realidade, desde muito antes da era careta e drogada atual. Ele põe dois mundos em confronto: o das tradições e o da modernidade. Pois lá no Brejo o mundo moderno também vai se impondo com sua maquinaria infernal, seduzindo os mais jovens enquanto os mais velhos tentam preservar a memória e o juizo. O Brejo é esse mundo arcaico que habita em nós, que sente saudade e fome das coisas esquecidas, que vão sendo apagadas vertiginosamente pela avalanche tecnológica. Que fazer? Usar das mesmas armas para conservar, fazer lembrar? Computadorizar o tempo? Serapião é do Brejo e é esperto também. Não se deixa seduzir ante o apelo fácil das virtualidades. Ele foi educado pela pedra, tem lá suas desconfianças das facilidades digitais. Ele cofia a barba, coça a cabeça, senta nos calcanhares, conversa em roda de amigos na esquina. Não é fácil pegá-lo. Lá no Brejo, de onde ele vem, as pessoas ainda se expõem ao sol, não têm medo do astro-rei. Não usam filtros em suas interações com a natureza. Caminham descalças. O Brejo é trabalho e festa. E emoções contidas, sentimentos por debaixo da pele grossa. Volte em breve Serapião, para continuar nos contando todas essas coisas de lá. Belas e tristes em sua alegria. Leia
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