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Sem pai nem mãe Escrevo em pleno 7 de setembro. Feriado no meio da semana é bom. Não participei de nenhuma cerimônia cívica; nem assisti. Só vi uma foto no jornal da presidente Dilma junto com a filha e a neta na parada de Brasília. Mulheres. Li um artigo da psicóloga Rosely Sayão na Folha: Família feliz e família real. Mudanças. Família tradicional: pai provedor material; mãe: provedora afetiva, administradora da casa e da educação dos filhos. Acrescento meus palpites: pai trabalha fora de casa, interpreta o mundo, é a autoridade. Mãe cuida da casa e dos filhos, educa e transmite valores. Na família contemporânea: mãe vai para o mercado de trabalho, pai tenta compensar um pouco a falta dela, que deixa a casa com alívio e culpa. Algumas mulheres tentam combinar o papel tradicional com as mudanças que vão se fazendo. Outras desistem: crianças são educadas por avós ou creches e escolas. Pais e mães transferem para instituições a responsabilidade pelo cuidado dos filhos. A tendência atual aponta para uma desdiferenciação de papéis masculinos e femininos dentro e fora de casa. No futuro pai e mãe disporiam de igual tempo, energia e atribuições no cuidado dos filhos. Fosse pai ou mãe os papéis seriam igualmente divididos. Uma família assim pode ser formada por dois pais ou duas mães. Sem problema. Na família tradicional o pai tem suas atribuições, e a mãe as suas, todas claramente delineadas. Mas a desdiferenciação de papéis é apenas uma tendência. Na prática reina a confusão e o conflito. Há famílias que compreendem o processo e caminham para a divisão igualitária de tarefas, intercambiando papéis. Um pai pode exercer uma tarefa tradicionalmente feminina e vice-versa. Em outro momento podem inverter. Contudo, há homens que resistem a essas mudanças ou não conseguem mudar. Há mulheres que exercem dupla jornada tentando manter os dois papéis: o tradicional dentro de casa e o trabalho externo. Existem graus variados de combinação entre tradição e mudança. Existe o caos. O modelo tradicional é mais estável e os casamentos mais duradouros. A cena contemporânea é mais instável e os casamentos não duram. É grande o número de crianças sem pai ou sem mãe (Mais sem pai que sem mãe). Chama a atenção o número de crianças sem pai nem mãe. A família tradicional está desaparecendo e no seu lugar, por enquanto, há o caos. Ninguém sabe o que fazer: pais, famílias, educadores, igrejas, legisladores. Parece que nada funciona. Pode ser só um sintoma da transição, mas ainda não sabemos onde isso vai dar. Para assumirem papéis equivalentes pai e mãe deveriam ter cargas de trabalho também equivalentes, e distribuir melhor entre si as tarefas e energias. Não como acontece hoje: crianças em creches ou escolas por período integral, sem contato com a própria família. Pais e mães fazem falta na vida dos filhos. Avós não podem assumir essa responsabilidade. Nem a escola, que não foi feita para substituir família, nem tem preparo para isso. Só vejo duas alternativas: ou confiamos na capacidade humana de encontrar soluções criativas, ou voltamos correndo para a família tradicional. Leia
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