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Matéria
de primeira página de A Mococa: Estádio do Radium vai a
leilão. Estádio aqui é São Sebastião,
cujo nome se confunde com o santo padroeiro da cidade. É do Radium,
que teve suas glórias, mas após a queda nunca mais se reergueu.
Ao longo das últimas décadas viveu mais de esperanças
que de conquistas. Seus torcedores e incentivadores sempre mantiveram
acesas as esperanças, porém já não miravam
vitórias das quais se orgulhar. Acompanhei sua trajetória
meio a distância. Em criança lembro-me do Estádio
da Caixa d’Água; cheguei a assistir jogo ali, na companhia
de meu pai, que chegou a jogar. E bem. Mais tarde vi nascer o estádio
São Sebastião, pois morava a apenas dois quarteirões
de distância, na rua Professor José Barreto Coelho. Havia
no local um gramado com as duas traves chamado Campo Novo. Ia para lá
com meu pai e meu irmão brincar de bola em fins de semana. Reunia-me
com amigos das redondezas para batalhas medievais com direito a lanças,
espadas e escudos. Então, vieram os alicerces, a arquibancada,
os vestiários, o muro, as bilheterias. Imaginava um futuro glorioso
para este time de nome curioso: uma homenagem à descoberta do elemento
químico Radium pela pesquisadora Marie Curie. Fundado em 1°
de maio de 1919, da união de dois clubes - o Operário e
o Mocoquense - a partir de 1949 profissionalizou-se. Devido ao verde de
sua cor ficou conhecido como o Verdão da Mogiana. Deixei Mococa
para estudar e perdi contato com o Radium Futebol Clube. Mas sempre alguém
perguntava, ao me saber mocoquense: e o Radium? Sempre alguém tinha
uma história. E o time fez história ao conquistar vaga na
divisão principal do futebol paulista em pleno Estádio do
Pacaembú. Era 1950. O time disputaria a primeira divisão
nas temporadas de 1951 e 1952, o seu auge. Hoje o panorama é desalentador.
Apesar de tentativas de reconstruir sua reputação o Radium
não conseguiu mais se levantar. Segundo o artigo citado de A Mococa,
“caso o Estádio São Sebastião venha a ser arrematado
no leilão a que será levado, isto pode significar o desaparecimento
definitivo do clube mocoquense, que tem 92 anos de história”.
Talvez ninguém possa salvá-lo. Contudo, como patrimônio
do povo mocoquense, talvez só o seu povo possa fazê-lo. O
Estádio fica num terreno bem valorizado da cidade. Se está
avaliado em R$ 919.008,00, e a Justiça do Trabalho aceita 50% desse
valor ou até mesmo o valor das dívidas previdenciárias,
quem sabe um mocoquense - ou um grupo de mocoquenses - não adquire
o terreno e o cede ou o empresta para um Radium Futebol Clube verdadeiramente
renovado? Sonho? Utopia? Sei lá, é apenas uma sugestão.
Fato é que sonhar junto tem muita força; e tornar reais
as utopias é tarefa da condição humana, conforme
nos ensinaram os dois pastores: Helder e Leonardo. Leia
pc.palladini.zip.net
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