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Os psicopatas A revista Veja apresentou, na edição da semana passada, entrevista com o psicólogo canadense Robert Hare, especialista num problema pouco considerado, mas cujos efeitos podem ser violentos: as psicopatias e os psicopatas. Ele estuda o tema há 50 anos, e chegou a elaborar uma escala para quantificar em graus a psicopatia de uma pessoa. Considerada um transtorno mental, a psicopatia caracteriza-se, não pelo sofrimento que o psicopata possa revelar, mas pelo sofrimento que ele é capaz de causar aos outros. Segundo Hare as principais características da psicopatia são: “ausência de sentimentos morais – como remorso ou gratidão -- extrema facilidade para mentir e grande capacidade de manipulação”. O leitor, certamente, conhece alguém assim: não está nem aí para os sentimentos dos outros, mente que não sente, está sempre jogando e manipulando. Um provável psicopata. Para meu mestre Anibal Silveira, as personalidades psicopáticas são condições endógenas por predisposição genética latente, caracterizadas pelo desvio conjunto das esferas afetiva ou conativa, e pela falta de subordinação da individualidade à sociabilidade. Isso quer dizer que a pessoa nasce com uma predisposição genética para o transtorno, e que ele abrange as esferas afetiva e conativa da personalidade, nunca a intelectual. Desse modo o psicopata tem uma inteligência normal e até acima da média. Nessa desordem os impulsos egoísticos preponderam sobre os sentimentos sociais. Por isso, o indivíduo não manifesta pelos outros nenhum daqueles sentimentos, que permeiam a vida social: respeito, consideração, aceitação, compaixão, empatia. Para eles não há moral nem lei, nem bem comum. Eles concentram em si o máximo do egoísmo. Segundo Hare a estimativa é de que 1% da população seja psicopata.
Para cada 100 pessoas que encotramos ao acaso na rua, uma seria psicopata.
Eles existem em todos os cantos da terra e em todos os extratos sociais.
Hare defende que “ainda que vivêssemos uma utopia social,
haveria psicopatas”. Não são as condições
familais e ambientais, sociais e econômicas que determinam o aparecimento
de um psicopata. “Os pais podem colaborar para o desenvolvimento
da psicopatia tratando mal os filhos. Mas uma boa educação
está longe de ser uma garantia de que o problema não aparecerá
lá na frente, visto que os traços de personalidade podem
ser atenuados, mas não apagados”, concluiu. Dado seu comportamento
muitos psicopatas esbarram na lei e acabam se envolvendo com a Justiça.
A legislação brasileira considera-os parcialmente responsáveis
pelos seus atos. Eles entendem que o que fazem é errado, mas não
conseguem agir de acordo com esse entendimento. Podem falsificar uma assinatura
ou documento, sabem que isso é ilegal, mas fazem assim mesmo. Além
disso não se importam com as consequências dos seus atos,
nem para si, nem para os outros. Quando apanhados, mentem, põem
a culpa em outrem, inventam uma desculpa qualquer. Se prejudicam alguém,
não se importam. Sua frieza afetiva impede-os de sentir compaixão
ou amor. Aliás, sobre isso, afirma Hare: “Um psicopata ama
alguém da mesma forma como eu, digamos, amo meu carro – e
não da forma como eu amo minha mulher. Usa o termo amor, mas não
da maneira como nós entendemos. Em geral é traduzido por
um sentimento de posse, de propriedade”. Leia
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