Voltar - Paulo Palladini


Os primeiros cristãos

Logo depois da morte de Jesus os onze discípulos, escolhidos por Ele - Judas já não fazia mais parte - várias mulheres, entre elas Maria e os irmãos de Jesus, mantiveram-se unidos. Nos Atos dos Apóstolos há o relato de uma assembléia de seus seguidores: cerca de cento e vinte pessoas reunidas. Pedro levantou-se e tomou a palavra, evocando Judas: “Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério”. Em seguida propôs que escolhessem um substituto para o seu lugar. Dois foram indicados: José e Matias. A assembléia orou pedindo inspiração ao Senhor e por meio de uma espécie de sorteio Matias foi o escolhido para ser incorporado aos outros onze apóstolos. Em breve na festa de Pentecostes eles receberiam o Espírito Santo, que se apresentou em forma de línguas de fogo. O primeiro batismo, o de João Batista, que anunciava a vinda do Cristo, isto é, do Messias, foi o batismo nas águas. O Espírito o foi pelo fogo. Os apóstolos passaram a falar, quando pregavam, nas línguas dos ouvintes, que se admiravam de tais fatos. Inspirados no gesto de Jesus, na última ceia, os adeptos reuniam-se, oravam em conjunto e repartiam entre si o alimento. Começaram a formar comunidades em que compartilhavam seus bens. “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um” (Atos 2-44 e 45). A Bíblia nos informa que não havia entre eles nenhum necessitado, todos eram contemplados. Os apóstolos eram os responsáveis por receber as doações, em cujos pés eram depositadas. Essas comunidades religiosas primitivas (não eram ainda denominadas cristãs), baseavam-se no princípio da igualdade, os membros se chamavam de irmãos, e seguiam os ensinamentos de Jesus. Conviveram com Ele, ouviram suas palavras, e a pregavam “cativando a simpatia de todo o povo”. Pregavam para os próprios judeus, cujos líderes os perseguiam. Vários apóstolos foram presos, inclusive Pedro. Tiago, irmão de João, foi morto a espada por ordem do rei Herodes. Mas as conversões só cresciam. Em certo momento dos Atos dos Apóstolos lemos que a comunidade dos seguidores de Jesus já contava com cinco mil homens. “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía: mas tudo entre eles era comum” (Atos 4-32). Formavam uma comuna em que os bens ficavam sob a guarda dos apóstolos e eram distribuídos conforme a necessidade. Os socialistas utópicos do século XIX puseram em prática idéias tiradas diretamente dessas comunas iniciais: de cada um conforme sua capacidade, a cada um conforme sua necessidade. Naquele início os discípulos de Jesus não eram ainda reconhecidos como cristãos; só começaram a ser assim chamados mais tarde, quando passaram a pregar para não judeus. Isso ocorreu em Antioquia por obra de Barnabé e Saulo. Até aquele momento a pregação era dirigida aos judeus nas sinagogas. A difusão dos ensinamentos para além dos círculos judaicos, principalmente por Saulo de Tarso (Paulo), é que deu origem ao cristianismo.

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Paulo Palladini