Voltar - Paulo Palladini

Pesquisas eleitorais: quem tem vez

A campanha eleitoral começa a deslanchar com os principais candidatos já se destacando. Todo o mundo diz que pesquisa eleitoral é só um retrato do momento, que não é preditiva, e não deve ser levada em conta para definir nada, nem deve guiar o voto de ninguém a partir dela. E todo o mundo vê nas pesquisas uma previsão do resultado, e pensa em votar no mais bem colocado, para... não perder o voto. Mas, caro leitor eleitor, o que é perder o voto? Ou eu tenho convicção política, ou penso em bobagens como perder voto. Nenhum voto é perdido. Ele é a expressão de uma vontade. Junto de outras vontades forma uma maioria, que, se maior que as outras maiorias, resulta num candidato eleito. A divulgação de pesquisas é um problema para as democracias. Se, por um lado, informam as tendências eleitorais, por outro, podem influenciar no resultado. Pode haver uma dezena de candidatos a presidente do Brasil ou governador em determinado Estado, e todos são iguais perante a lei. No entanto, apenas alguns aparecerão nos meios de comunicação. Se todos tem direitos, que critérios os meios utilizam para mostrar este ou aquele candidato em suas reportagens? Pequisas. Então, mostram somente os mais bem colocados. Totalmente injusto, não? Pois os eleitores, igualmente, têm o direito de conhecer todos os candidatos e todos os candidatos têm o direito de se apresentarem para os eleitores. Como formar uma convicção sem conhecer? Como os meios, através de matérias jornalísticas, debates, divulgação só mostram alguns, a maioria dos candidatos permanece completamente ignorada. Existem e não existem para os eleitores. Estes, por sua vez, pensam que só tem três candidatos à presidência da República. Tem nove! O nobre leitor é capaz de declinar apenas dois nomes além dos

três? Jornais e televisões afirmam que não podem abrir espaço para todos, admitindo, com isso, a discriminação. Não haveria espaço para todos. Se um candidato é desconhecido dos eleitores, mais necessidade tem ele de mostrar suas idéias. Ele pode ter propostas interessantes, mas como saberemos? Desse modo nossa legislação privilegia os já conhecidos e a disputa fica circunscrita a poucos nomes. Além disso, mesmo entre eles, as pesquisas apontam os que estão em crescimento e aqueles que estão em queda, de acordo com os resultados dos próprios institutos de pesquisas. Os eleitores tendem a definir o voto a favor dos que estão melhores posicionados, criando assim um circulo vicioso. O eleito acaba sendo apontado pelas pesquisas. De vez em quando há surpresas, porém, em geral, as pesquisas acertam. O mais bem colocado nas pesquisas será o eleito. Segundo meu entendimento as pesquisas tanto informam os cidadãos como direcionam o processo eleitoral. Os candidatos que não atingem 1% nas pesquisas nem tem seus nomes citados nos meios de comunicação. Que chance têm então, de ficarem mais conhecidos, de exporem suas idéias? Quase nulas. Mesmo a propaganda gratuita, vinculada à representação parlamentar, fica restrita aos maiores partidos. São eles os parlamentares que fazem as leis. Circulo vicioso dentro de circulo vicioso. José Serra(PSDB), Dilma Roussef(PT), Marina Silva(PV). E o Ivan Pinheiro(PCB), o José Maria Eymael(PSDC), o Levy Fidelix(PRTB), o Plinio de Arruda Sampaio(PSOL), o Rui Pimenta(PCO), o Zé Maria(PSTU)? É, eles são os outros candidatos, e os outros, simplesmente, não têm voz. Nem vez.

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Paulo Palladini