Voltar - Paulo Palladini

O parque ecológico cortado

Plantei mais duas árvores na frente da minha casa. Espero que sobrevivam. Mococa precisa de muita árvore. Reportagem da semana passada neste Jornal – Árvores... para um clima melhor - alerta-nos para a baixa cobertura verde da cidade. De fato, para temperaturas tão altas, tanto calor, é desejável um equilíbrio maior entre edificações e vegetação. Sempre é possível aumentar a quantidade de plantas. A reportagem cita o Jardim Morro Azul como uma exceção dentre os bairros da cidade. Verdade. Tem havido especial cuidado com essa questão por parte dos moradores, cuja Associação, zela pelas praças do bairro e pela imponente área verde, agora denominada Parque Ecológico Morro Azul Maria Dias Barretto Figueiredo. Documento elaborado pela Associação e assinado por seu presidente Lourival Gonçalves Polizeli informa-nos das iniciativas ambientalistas de moradores, bem como elenca os vários problemas que o bairro enfrenta. Quatrocentas árvores nativas foram plantadas nas áreas mais degradadas. Cerca de quarenta somente na área em frente à minha casa, que dá vista para o Parque. Acrescentei ali, por minha conta, mais seis mudas. Quem passa pela Rua das Amendoeiras, na altura do número 500, pode constatar a mudança. As árvores estão robustas e atraem animais, principalmente pássaros. Tucanos são presenças constantes no local. Bem-te-vis também. E gaviões e outros animais. Mas o documento da Associação também constata os principais problemas que a preservação inadequada provoca. O primeiro deles é o descuido com a própria Lei Complementar n? 253 de 2 de março de 2007, que dispõe sobre a criação e implantação do Parque Ecológico. Sua conservação e administração, bem como a preservação da fauna, da flora e dos recursos naturais são responsabilidade do poder público. Outro problema elencado no documento é a falta de cerca em quase toda a sua extensão. E ainda falta calçada para os pedestres. E há erosões junto às ruas que o margeiam, agravadas pelas fortes chuvas. Lixo e entulho acumulam-se em alguns lugares. O documento ainda aponta a presença de um invasor, que teria, inclusive construído no interior do Parque. Invasões por eqüinos e bovinos também são comuns. Já vi, mais de uma vez, cavalo comendo em lixeira. E falta segurança no entorno, materializada por constantes atos de vandalismo perpetrados por passantes. Mas, talvez, o principal problema seja a presença de uma rua asfaltada, ligando os bairros Jardim Morro Azul e Colina Verde. Isso é problema porque corta o Parque ao meio, o que contraria a concepção da área de preservação. Se bem entendi a lei que cria o Parque, esta não prevê o acesso por rua naquele local. A concepção original do Morro Azul não previa vários acessos, tanto que a maior parte de suas ruas é fechada, permitindo tão somente trânsito local. Concluindo: mesmo um bairro como o Jardim Morro Azul, bem arborizado e cuidado, cujos moradores contribuem em alto grau,tem sérios problemas ambientais a serem resolvidos.

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Paulo Palladini