Voltar - Paulo Palladini


Paixão, morte, ressureição

Para escrever sobre a Páscoa recorro ao meu velho Missal Romano Cotidiano das Edições Paulinas, que ganhei de meus pais em 1963. Tinha eu 9 anos de idade. Guardo-o até hoje. É uma versão bilingue, latim e português. Nele podemos ler que em seus últimos dias um Jesus extremamente angustiado fala: Pater mi, si non potest hic calix transire, nisi bibam illum, fiat volúntas tua. Isto é: Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. É nesse trecho que encontramos outras expressões do Cristo, as quais guardamos até os dias atuais: Vigiláte, et oráte, ut non intrétis in tentatiónem. Spíritus quidem promptus est, caro autem infírma. Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca, disse Ele, dirigindo-se a Pedro e aos demais discípulos, que o acompanhavam no Getsemani. Aproximava-se a hora derradeira. A hora em que Ele se ofereceria como cordeiro ao sacrifício. Leio no Missal que o sacrifício é um ato essencial das diversas religiões; a oferta de algo valioso, que é destruído durante uma cerimônia em honra a Deus. Em antigas religiões o animal a ser sacrificado era levado pelas ruas em procissão, para que o povo depositasse nele todos os seus males e pecados. Em muitas delas os crentes falavam ao seu ouvido. Ao morrer o animal carregava consigo todo o mal, e deixava as pessoas livres para uma nova vida. Jesus se coloca como o animal sacrificial, o cordeiro, que ao ser imolado liberta toda a humanidade. É nesse sacrifício único, o qual substitui todos os outros, presentes e futuros, que os cristãos afirmam a sua fé e a sua esperança. A missa é a renovação simbólica desse sacrifício, que culmina com a ressurreição no terceiro dia. Leio mais: “A noite em que Cristo ressurgiu da morte assinala a culminância da história religiosa da humanidade. Santo Agostinho chama-a ‘noite santa e mãe de todas as vigílias cristãs’. Esta noite de Páscoa, em que Cristo passa da morte à vida, das trevas à luz, centra-se no ano litúrgico; nela os fiéis celebram, mediante o batismo, a sua ‘passagem’ da morte do pecado à vida de Deus. Os cristãos dos primórdios do Cristianismo passavam essa noite em vigília aguardando a ressurreição de Cristo, e era nessa noite que antigamente eram ministrados os três sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia. Sepultados na morte de Cristo, renasciam para a sua vida divina. A ressurreição da Cabeça era, assim, celebrada com a incorporação de novos membros”. Páscoa é passagem. Para o povo hebreu cativo no Egito é a passagem para a liberdade. Para os cristãos significa a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz. Um só sacrifício, um só cordeiro, uma só humanidade. Desde Aquela Paixão e Aquela Ressurreição podemos todos nos ver como irmãos no corpo místico de Cristo.

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Paulo Palladini