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Para
escrever sobre a Páscoa recorro ao meu velho Missal Romano Cotidiano
das Edições Paulinas, que ganhei de meus pais em 1963. Tinha
eu 9 anos de idade. Guardo-o até hoje. É uma versão
bilingue, latim e português. Nele podemos ler que em seus últimos
dias um Jesus extremamente angustiado fala: Pater mi, si non potest hic
calix transire, nisi bibam illum, fiat volúntas tua. Isto é:
Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba,
faça-se a tua vontade. É nesse trecho que encontramos outras
expressões do Cristo, as quais guardamos até os dias atuais:
Vigiláte, et oráte, ut non intrétis in tentatiónem.
Spíritus quidem promptus est, caro autem infírma. Vigiai
e orai, para que não entreis em tentação. O espírito
na verdade está pronto, mas a carne é fraca, disse Ele,
dirigindo-se a Pedro e aos demais discípulos, que o acompanhavam
no Getsemani. Aproximava-se a hora derradeira. A hora em que Ele se ofereceria
como cordeiro ao sacrifício. Leio no Missal que o sacrifício
é um ato essencial das diversas religiões; a oferta de algo
valioso, que é destruído durante uma cerimônia em
honra a Deus. Em antigas religiões o animal a ser sacrificado era
levado pelas ruas em procissão, para que o povo depositasse nele
todos os seus males e pecados. Em muitas delas os crentes falavam ao seu
ouvido. Ao morrer o animal carregava consigo todo o mal, e deixava as
pessoas livres para uma nova vida. Jesus se coloca como o animal sacrificial,
o cordeiro, que ao ser imolado liberta toda a humanidade. É nesse
sacrifício único, o qual substitui todos os outros, presentes
e futuros, que os cristãos afirmam a sua fé e a sua esperança.
A missa é a renovação simbólica desse sacrifício,
que culmina com a ressurreição no terceiro dia. Leio mais:
“A noite em que Cristo ressurgiu da morte assinala a culminância
da história religiosa da humanidade. Santo Agostinho chama-a ‘noite
santa e mãe de todas as vigílias cristãs’.
Esta noite de Páscoa, em que Cristo passa da morte à vida,
das trevas à luz, centra-se no ano litúrgico; nela os fiéis
celebram, mediante o batismo, a sua ‘passagem’ da morte do
pecado à vida de Deus. Os cristãos dos primórdios
do Cristianismo passavam essa noite em vigília aguardando a ressurreição
de Cristo, e era nessa noite que antigamente eram ministrados os três
sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Crisma
e Eucaristia. Sepultados na morte de Cristo, renasciam para a sua vida
divina. A ressurreição da Cabeça era, assim, celebrada
com a incorporação de novos membros”. Páscoa
é passagem. Para o povo hebreu cativo no Egito é a passagem
para a liberdade. Para os cristãos significa a passagem da morte
para a vida, das trevas para a luz. Um só sacrifício, um
só cordeiro, uma só humanidade. Desde Aquela Paixão
e Aquela Ressurreição podemos todos nos ver como irmãos
no corpo místico de Cristo. Leia
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