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Desde
os dois roubos, de que fui vítima no mês passado, tenho refletido
um pouco mais profundamente sobre a insegurança em que vivemos.
É natural. Mesmo porque, esse é um caso, em que o raio pode
cair mais de uma vez no mesmo lugar. Conversando com as pessoas a gente
vai se inteirando melhor do grau de insegurança que atingiu a cidade.
É difícil não pensar que a classe média foi
entregue à sua própria sorte. Embora os policiais sejam
gentis e prestativos, guardo a impressão de que estão sempre
correndo atrás dos fatos. Na verdade ninguém com quem conversei
se sente seguro seja dentro ou fora de casa, no trabalho ou no lazer.
Durante muitos anos atendi no consultório até as 21h00;
depois ainda fazia uma caminhada noturna. Alguns colegas chegaram a me
alertar para os riscos; não é prudente trabalhar até
tarde, não é prudente caminhar à noite. Agora, depois
das ocorrências, reduzi o tempo de consultório, saio mais
cedo, atendo menos pacientes. Não quero me expor nem expor funcionária
e clientes à violência. Mas também não sei
se isso adianta. Os conselhos que mais ouvi nestes dias podem ser condensados
num só: aumente sua segurança pessoal. Isto é: instale
alarmes e câmaras, portas eletrônicas, grades nas aberturas,
cercas eletrificadas. Contrate segurança particular. Ninguém
me aconselhou a procurar o poder público. Afinal, um dos direitos
básicos dos cidadãos é a segurança. Se não
posso andar tranquilamente pelas ruas da minha cidade, nem me sentir seguro
dentro da minha própria casa... Que fazer? Vejamos o absurdo: é
o bandido que determina como devo trabalhar, em que horários ou
condições. Esta é uma inversão completa da
lógica e do bom senso. Bom senso hoje é ficar quieto e ir
embora mais cedo. Isso é inaceitável. Mudo meus hábitos
para não ficar exposto à violência. Ninguém
pode me oferecer uma palavra tranquilizadora sobre isso. A sensação
térmica é de criminalidade crescente, uma verdadeira escalada
do crime. Roubo à mão armada passou a ser coisa corriqueira.
Para me defender devo em armar também? Não creio, a polícia
é o braço armado da sociedade em defesa do cidadão.
Quero acreditar nisso, quero confiar nessa assertiva. Cabe aos governantes
proteger os cidadãos. E o fazem. Mas se as ações
dos poderes públicos não se tornam visíveis os criminosos
ficam cada vez mais ousados. E indiferentes à dor do outro. No
belo filme de Tim Robbins, Os últimos passos de um homem, interpretado
por Sean Penn e Susan Sarandon, o criminoso nega até o derradeiro
instante ter cometido os assassinatos. Minutos antes de ser executado
por injeção letal, ele admite sua culpa. O sofrimento que
causou àquelas famílias foi imensurável, tanto pelo
crime horrível com pela indiferença demonstrada. A indiferença
para com o sofrimento do outro é um dos traços dessa criminalidade,
que se torna psicopática. É a marca da maldade. Anteontem
vi pela TV o caso de um casal, que fora assaltado no Rio. Por alguma razão,
se é que tinha alguma, os bandidos empurraram o casal por uma ribanceira.
Ambos se salvaram, mas que ponto atingimos! Vamos afundar mais ainda?
O músico Marcelo Yuca, que ficou paraplégico durante um
assalto anos atrás, foi novamente surpreendido por ladrões,
quando manobrava seu carro. Eles não acreditaram que ele é
deficiente físico e o espancaram e arrastaram para fora do veículo.
Deixaram-no estendido no chão. E ele sem poder se mexer, metade
do corpo paralisada... O que é isso companheiros? Só nos
resta reclamar, ou nem mais isso?. Leia
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