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- Paulo Palladini
O quê! Pois é.
Leio que no Rio de Janeiro vários cinemas tradicionais, que haviam fechado as portas anos atrás - alguns há 15 anos - vão ser reabertos. É o caso de nomes como Cine Joia, Paissandu, Olaria, Imperatriz. Essas salas de cinema não tem nada a ver com as de shopping centers; as aves que gorjeavam nas antigas não são as que gorjeiam nelas. Em São Paulo. Quem assistiu Satyricon de Federico Fellini num Cine Bijou lotado, sentado no chão, não tem estômago para entrar numa sala de shopping. Nunca fui. Era sim capaz de passar em frente ao Belas Artes ou ao Arouche só para ver a programação. Cinema era acontecimento. Entre as mesinhas na calçada circulava um dramaturgo Plínio Marcos vendendo libretos de suas peças, proibidas pela ditadura. Mas esta já é outra história. Em minha cidade de mais ou menos 65 mil habitantes, tivemos duas salas de cinema simultâneas: o Cine-Theatro Central, hoje só teatro, e o Cine Mococa, na corda bamba sem rede. Sobrevivendo. Semana passada, recebemos a notícia da morte de seu projecionista Zezé Lippi. O escritor Getúlio Cardozo referiu-se a ele como aquele que “fez a máquina da ilusão continuar funcionando num tempo sem ilusão”, e que em sua faixa de despedida deveríamos ler: “Zezé Lippi, homem simples, do povo”. O maestro Coelho de Moraes - Marco Antônio - maestro e muito mais, mandou e-mail: Ele (Zé) “fez seu trabalho e foi dormir no plano das ideias dos outros que o amaram. Quando um polo de cinema surgir em Mococa que se faça um filme sobre o Zé Lippi. Será um filme do bem, da alegria de viver, do amor ao trabalho, da manutenção da arte sétima e maior; isso nos sugere que o Zé Lippi dormita agora no sétimo céu medieval. Com ou sem Galileu para perturbar a desordem do Universo”. The end. Leio na Folha de São Paulo entrevista de Ziraldo, autor de O menino Maluquinho, entre outros, em que ele fala de suas ideias sobre educação. “O Brasil não tem 10% de analfabetos, tem 90%. É só ver quanto de jornal vende por dia, muito pouco. Quem não lê jornal é analfabeto funcional”. Sobre os analfabetos pais dos analfabetos disse: “Os pais têm que encher a casa de livros. E ficarem atentos para não deixar a criança chegar à internet sem passar pelo livro”. Difícil. Para ele lição de casa passada pela escola seria escrever um diário. A escola deve estimular o aluno a refletir sobre si mesmo, pensar. Revelou que este é um projeto seu que será encampado por escolas de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Concordo com uma escola que estimule o pensamento e não a assimilação passiva de conteúdos discutíveis, se não completamente inúteis. Quando estava no segundo ano da faculdade de medicina, José Renan da Cunha Melo, meu professor de fisiologia disse: “Não sei se vocês sairão daqui sabendo fisiologia, mas saberão o que, onde e como procurar”. Em áreas cujo conhecimento evolui muito rápido, não faz sentido decorar conteúdos que estarão obsoletos em pouco tempo. Pensar criticamente é muito mais importante. Repetir como um papagaio o que aprendeu nunca foi, no passado, nem é relevante no mundo atual. Preciso é ser criativo. Ainda acho que o elemento mais importante no sistema de educação formal é o professor. A lembrança dos bons professores que tive só reforça esta opinião. Sem bons professores não temos uma boa relação ensino-aprendizado. Antes que melhorar o aprendizado é preciso melhorar o ensino. Formar o formador. Quem há de? A universidade brasileira melhor colocada numa escala mundial recentemente divulgada foi a USP: 178˚ lugar. E teve gente que comemorou. Pois é.
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Paulo Palladini
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