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O Natal Para nós cristãos o Natal é uma das datas maiores. Pois o cristianismo adquire uma face justamente com o nascimento de Jesus. A história do cristianismo é a história de Jesus. O que nós conhecemos por Novo Testamento é a vida Dele contada e recontada por cronistas de varias épocas. Alguns, contemporâneos, conviveram com Ele, outros não. Os evangelhos anotados e as cartas de discípulos informam-nos dos acontecimentos daqueles tempos na Galiléia. Paulo, por exemplo, não conheceu pessoalmente Jesus, converteu-se depois de uma visão e tornou-se um dos principais articuladores da Igreja do Mestre. Padre Celso contou, numa de suas missas, que a edificação da Igreja de Cristo foi profundamente marcada pelo martírio, não só o martírio de Jesus, mas também o de inúmeros seguidores, que se tornaram mártires, ao defenderem sua fé. Muitos dos santos, cujas vidas estudamos, são mártires do cristianismo. Morreram de modo cruel na defesa de seus ideais. Talvez esse seja o maior testemunho de uma fé. Se alguém pode entregar tudo, inclusive a própria vida é porque sua fé é grande. Antes de Jesus, João Batista fora martirizado. Ele anunciava a vinda do Messias e batizava nas águas do Rio Jordão. Anunciava um rei que não teria riquezas materiais nem palácios, mas seria maior que todos os reis. Porque a grandeza não precisa ser medida pelo acumulo de bens materiais. Isso é coisa difícil de entender para a mentalidade materialista e capitalista de hoje. Isto é, se é possível uma grandeza maior que a medida em dinheiro. O dinheiro suplantou todos os demais valores, ele é a medida de todas as coisas. É a régua com que medimos o mundo. As relações entre as nações são antes econômicas que de qualquer outra natureza. As relações entre as pessoas também tendem para esse lado. Os laços entre as famílias são determinados pela classe social a que pertencem, as amizades se desenvolvem entre iguais, embora valorizemos tanto nossas diferenças e nossa mobilidade social. E as classes, não nos esqueçamos, são definidas a partir de critérios econômicos: renda e poder de compra. Num mundo assim a estabilidade é sempre precária, sujeita a oscilações intensas. No ponto mais alto de nossa escala social estão os donos do capital. Sejam pessoas, empresas ou governos. Os donos do dinheiro é que falam mais alto. Porém, uma sociedade calcada num único valor enfrenta muitos problemas. Uma sociedade escrita com todas as letras só pode ser definida por um conjunto de valores, que são passados de geração a geração, não por um valor único. Jesus reafirmou a fé sobre o conhecimento, a importância do pequeno sobre o grande, o amor e o perdão sobre o ódio e a vingança, uma outra vida sobre esta vida. Fazemos tudo ao contrário. Em Procissão, Gilberto Gil canta: “Eu também tô do lado de Jesus/ Só que acho que ele se esqueceu/ De dizer que na terra a gente tem/ De arranjar um jeitinho pra viver”. Tudo bem. Um jeitinho pra viver todos nós precisamos; bem estar e conforto. Porém, a realização pessoal, que todos buscamos, não depende só do poder de compra. Então, neste Natal, voltemos nosso olhar para outros valores, como o amor pelo próximo, a consideração pelo passado e a cultura, a gentileza, o respeito, a bondade. Nada disso depende do dinheiro, mas sem esses valores não passamos de caixas eletrônicos ambulantes. E ser humano é muito mais que isso. Feliz Natal leitores! Leia
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