Novas tecnologias a serviço de velhas maniasFui procurado para entrevista pela TVD no dia do escritor. Escritor tem dia e eu agora sou, também, um escritor. Falei que mais importante, que escrever, é ler. O mundo é quase todo ele escrito e uma vida inteira dedicada à leitura não é suficiente para abarcar uma porção mínima de suas escrituras. Mas há pessoas que sentem uma necessidade interna muito forte de escrever, uma pressão de dentro para fora. E outras que o fazem movidas por acontecimentos externos, questões de natureza social ou política. Reações, indignações. Muita gente escreve sobre os mais variados assuntos. Mas reafirmo: melhor é ler que escrever. Soube que as vendas de livros e outras publicações impressas não param de crescer. Isto é surpreendente, pois há não muito tempo, foi anunciado o fim do livro, a extinção da letra impressa, provocada pelos novos meios digitais. Quem iria querer carregar um volume de 800 páginas debaixo do braço, se tivesse à disposição uma leve tela sensível ao toque? Pois é. Este objeto aparentemente frágil e pesado, confeccionado em papel, formado de pilhas de folhas numeradas, protegido por uma capa, ainda exerce o seu fascínio. Muitos preferem folhear um livro, impregnar-se do cheiro de sua tinta. E buscar edições antigas de 100 ou 200 anos atrás, páginas amareladas pelo tempo, e que só são encontrados em sebos ou bibliotecas particulares. Nesse ponto a internet é de grande ajuda. Existem sites especializados em compra e venda de livros usados. A Estante Virtual, por exemplo, reúne mais de mil e novecentos livrarias, totalizando vinte e sete milhões de livros em constante movimento. Se o leitor procura determinado título, o site mostra todos os exemplares cadastrados de todos os sebos: podem ser dois somente ou centenas. De cada um traz informações sobre a edição e uma descrição detalhada das condições do livro. Se tiver 40 exemplares à disposição, o leitor pode acessar os dados de cada um deles: o estado geral, como está a capa, se possui folhas soltas ou rabiscadas, marcas e furos de traças e cupins, anotações a mão, dedicatória. Isto facilita a decisão de comprar ou não. Além disso, o processo é muito dinâmico, a toda hora entram e saem livros do sistema. E mais outra vantagem. Possibilita adquirir um livro de uma livraria em Porto Alegre ou em Manaus sem sair de casa. Comprei recentemente um livro de um autor chamado Georges Audiffrent: Du cerveau et de l’innervation. Foi publicado na França em 1869. Dentre os vinte e sete milhões de volumes disponíveis na Estante Virtual encontrei apenas dois exemplares dele. Um estava com a capa danificada. O outro era de um sebo em Curitiba. Decidida a compra, em seis dias recebi meu livro pelos correios. Sem nenhuma complicação. Por este sistema podemos adquirir obras raras por bons preços e com toda a comodidade. Está aí uma aliança interessante entre a tecnologia dos computadores e o velho e bom livro. Novas tecnologias a serviço de velhas manias. Leia
pc.palladini.zip.net
|