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Certa vez fui convidado a falar sobre motivação para uma platéia de funcionários da Santa Casa de Mococa. Os próprios funcionários me convidaram, fato que vem de encontro com o que eu próprio penso do assunto: motivação, para mim é auto-motivação. Como hipnose é auto-hipnose. O conceito de motivação que utilizo é o do meu mestre Anibal Silveira. Para ele motivação é um dinamismo psíquico caracterizado pelo estímulo afetivo para agir. Do mesmo modo interesse é caracterizado pelo estímulo afetivo para perceber, pensar e comunicar. Motivação e interesse nascem da esfera afetiva da personalidade. Ambas podem surgir do setor egoístico da afetividade, bem como do setor altruístico. O primeiro encerra funções psíquicas básicas voltadas à individualidade: conservação do indivíduo, instinto sexual, tendências destrutivas e construtivas, necessidade de domínio e de aprovação. O segundo estimula as relações sociais, as ligações afetivas voltadas para o outro nas várias formas de amor. Portanto, há motivações e interesses individuais e sociais, de caráter egoístico e altruístico. Uma motivação pode ser construtiva ou destrutiva, pode levar alguém a dominar o outro ou buscar sua aprovação. Depende do setor da afetividade em que tem origem: individualidade ou sociabilidade. Uma relação competitiva está ligada à indivualidade: “eu contra os outros”. Uma relação cooperativa está ligada à sociabilidade: “eu com os outros”. Na natureza há tanto competição como cooperação. A evolução depende de ambos os processos. No ambiente humano, isto é, no ambiente das relações interpessoais, o mesmo se dá. Quando muitas pessoas disputam um mesmo cargo há competição, defesa da individualidade. “Preciso ser melhor que todos”. O mais esperto, o mais apto predomina. Quando um acontecimento sensibiliza um grupo seus membros interagem e cooperam. Todos põem o melhor de si na tarefa comum. Operam juntos. A motivação que me interessa mais é a cooperativa. Nela todos participam e todos são importantes. A cooperação estimula o que cada um tem de melhor, estimula a harmonia de cada um com todos os outros. Numa relação harmônica todos vibram juntos e, ao mesmo tempo, preservam seus caracteres individuais. Não são todos iguais. Cada um vem com sua capacidade. Mas vibram juntos, cada um no seu timbre, cada um do seu jeito. O cérebro humano funciona assim: as diferentes regiões cerebrais são responsáveis por funções diversas. Tais regiões são interligadas em sistemas, e cooperam entre si. Uma é o martelo, outra é a bigorna. O conjunto, no entanto, é harmônico. Um sistema é um conjunto de elementos em interação. Numa equipe hospitalar há vários sistemas que se entrecruzam. Médico e enfermeiro formam um sistema. Enfermeiro e nutricionista outro. Fisioterapeuta e paciente um outro ainda. Auxiliares de limpeza e cozinha integram a mesma rede de relações. Cada um tem suas funções diferenciadas. De modos diferentes todos concorrem para a mesma ação. Que é motivar senão estimular, por via emocional, a sociabilidade afetiva? Que é motivar senão reconhecer verdadeiramente o valor de cada elemento no processo? Que é motivar senão estimular a solidariedade antes que a divisão e o individualismo? Uma solidariedade orgânica admite a diversidade concorrendo para a realização de objetivos comuns, compartilhados, coletivos. Politicamente a competição aponta para o individualismo capitalista, a cooperação para um socialismo utópico. O que queremos? Leia
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