Voltar - Paulo Palladini


Minha entrevista


Fui à TVD para uma entrevista com Eliana Mazucato, neurologista, entrevistadora e amiga. Fui falar do lançamento do meu Livro Patogênese, centrado na obra de meu professor de psiquiatria Anibal Silveira. Ele foi um mestre importante, responsável pela formação de várias gerações de psiquiatras; dos poucos brasileiros criadores de escola. Porém, que não teve até hoje o reconhecimento devido. Meu livro aborda seu pensamento, é introdução ao estudo da personalidade e da psicopatologia. Não é um livro para leigos, pois exige, para seu entendimento, uma formação básica em ciências da saúde e mais alguma coisa. A entrevista girou em torno desse tema, do legado científico de um grande professor brasileiro de psiquiatria, que, embora tenha desenvolvido suas teorias ao longo de 50 anos e publicado muito, não deixou um livro que sintetizasse suas ideias. Ele lecionou em várias universidades e quando morreu, em 1979, dirigia a Faculdade de Medicina de Jundiaí. Alguns discípulos chegaram a cogitar ter ele deixado esse livro-síntese registrado para a posteridade. No entanto, os anos foram passando e o tal livro não apareceu. Uma pena, porque um livro escrito pelo próprio punho do mestre seria fundamental para o conhecimento e a continuidade do seu trabalho. Tal livro, alternativamente, poderia ter sido escrito por algum dos seus discípulos mais destacados ou, como sugeriu Lúcia Coelho na apresentação que fez de Patogênese, por um grupo de especialistas na obra do mestre. Assim, um deles escreveria sobre o fundamento filosófico, outro sobre a teoria da personalidade, outro sobre a psicopatologia pelo ângulo da patogênese, e assim por diante. Mas nada disso aconteceu. Dez anos se passaram, depois vinte. Nem o livro do mestre, nem o livro dos discípulos do mestre. Foi quando decidi encarar a tarefa sozinho, com o material incompleto que possuía, e com a visão pessoal que adquiri de seus ensinamentos. Era 1997. Hoje publicado, meu livro tornou-se obra inédita sobre o professor Anibal Silveira. É único. É o meu livro de Silveira. Traz todos os conceitos que desenvolveu e deixa de lado aspectos desatualizados, principalmente aqueles relativos aos tratamentos biológicos em psiquiatria. Tratei dessa parte no capítulo dedicado aos dados biográficos e bibliográficos, como registro histórico. O capítulo sobre a teoria da personalidade está bem desenvolvido e atual, bem como o capítulo sobre o critério patogenético. A psicopatologia geral de acordo com a patogênese também. A parte especial é apenas ilustrativa, conceitual, a visão de Silveira das várias entidades clínicas. Mas destaco ali as psicoses diatéticas, uma de suas contribuições à psiquiatria, a partir dos pesquisadores alemães Kleist e Leonhard. No capítulo sobre terapia eu me inspirei nas suas teorias, mas elaborei critério próprio, como o esboço do método de entendimento sociológico. E mesmo a divisão das terapias em biopsicológicas e sociopsicológicas; e a divisão dessas últimas em socioterapia e psicoterapia. São elaborações decorrentes dos ensinamentos de Silveira, mas não contidas em seus escritos. Concluindo: este livro é o meu livro de Silveira. Contudo, é fiel aos seus conceitos. Como escrevi na introdução: “Quis torna-lo a correta expressão de uma concepção psiquiátrica singular”. Na entrevista à DVD pude explicar melhor essas questões. Houve muitos telefonemas, perguntas, cumprimentos, reconhecimento. Patogênese – uma introdução ao pensamento de Anibal Silveira, foi publicado em 2010 pela Editora Terceira Margem, de São Paulo. A capa é de Gustavo Palladini.

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Paulo Palladini