Voltar - Paulo Palladini

Meu livro


No dia 17 de março estarei em São Paulo fazendo o lançamento de meu livro Patogênese – uma introdução ao pensamento de Anibal Silveira. O evento será na Sociedade Rorschach, ali na Vila Mariana. Editado pela Editora Terceira Margem, o volume traz apresentação pela Profa Dra Lucia Coelho. No dia ela fará uma palestra sobre Silveira, nosso professor comum. Ocorre que ela, que é psicóloga de formação e pós-graduada em filosofia das ciências e em medicina, pertence a uma geração de discípulos anterior à minha. Foi minha professora de psicologia. Além de sua atividade docente (ela é uma das maiores autoridades mundiais em Roschach), é presidente da Sociedade, fundada por Anibal Silveira em 1952. Ele foi um dos introdutores da prova de Rorschach no Brasil, que aplicava desde 1935. Tornou-se um dos maiores especialistas em todo o mundo. Contribuiu com a elaboração de índices de sua lavra; inclusive, um deles, leva seu nome. Em sua vida acadêmica foi professor de técnicas projetivas e psicopatologia na antiga Faculdade de Filosofia e Letras da USP a partir de 1958, ao lado de Durval Marcondes, quem trouxe a psicanálise para o Brasil. Silveira ainda seria, mais tarde, professor titular nas faculdades de medicina de Botucatu (estadual), Campinas (Unicamp) e Jundiaí (municipal). Foi nesta última fase que o conheci. Era 1978; eu concluíra o curso médico e iniciava minha formação em psiquiatria. Nossa convivência foi curta, pois ele morreria no ano seguinte aos 77 anos. Porém seu impacto sobre mim foi profundo. Estudei sua teoria e procurei apreender seus conceitos, trazendo-os para minha prática cotidiana. O Professor constituiu verdadeira escola de pensamento, uma das mais consistentes no ambiente intelectual brasileiro. Reuniu “as qualidades de um eminente cientista e de um filósofo humanista”, escreveu Coelho numa homenagem logo depois de sua morte em 16 de agosto de 1979. De fato a Escola psiquiátrica que criou é completa. Integra uma ampla teoria da personalidade, um critério para o entendimento dos fenômenos psicopatológicos – a Patogênese – uma psicopatologia, e subsídios consistentes para intervenções terapêuticas nos vários níveis de integração do ser humano: nível biológico-encefálico, nível psicológico e nível social. Ele publicou em revistas nacionais e internacionais, participou de congressos em várias partes do mundo, deu cursos para várias gerações de psiquiatras. Contudo, não deixou um livro escrito, que sintetizasse seu pensamento. Todos esperávamos pelo livro do Professor. Mesmo depois de sua morte continuamos esperando por um possível manuscrito. Nada. Em 1989, já morando em Mococa, deparei-me com uma caixa de papelão contendo rascunhos, anotações de aulas, copias mimeografadas de textos dele, revistas. Pensei em organizar esse material. Apresentei o resultado no XIX Congresso Brasileiro de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental, com uma sugestão de roteiro para um livro sobre ele. Foi uma homenagem minha nos 10 anos de sua morte. Esperava que um grupo de discípulos, mais qualificados que eu para a tarefa tomasse em mãos a elaboração do livro. Passaram-se mais 8 anos. Nada. Comecei eu a escrever o livro, o que me ocupou por 5 anos. Em 2002 a primeira versão estava pronta. Mostrei o manuscrito para um psiquiatra amigo, e também meu preceptor nos anos de formação: José Gilberto Franco. Ele me encorajou. Depois disso foram contatos com a Editora, revisões e mais revisões. Num evento em memória dos 25 anos da morte do Professor, 2004, apresentei publicamente o livro. Agora ele está impresso. Capa de Gustavo Palladini.

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Paulo Palladini