Voltar - Paulo Palladini

Lula é um gênio?


Do que parece Lula é um gênio. Ou não? Se o mundo contemporâneo é o mundo das aparências a genialidade de Lula encontrou sua hora e seu lugar. Nos sete anos corridos de seu governo tudo parece dar certo, mesmo o erro. Tudo conspira a seu favor, converge para ele como um poderoso imã. Ele faz chover quando precisa, faz parar a chuva quando está demais. Costuma falar de improviso e consegue, no mais das vezes, convencer seus interlocutores. Quando se prenunciava a grande crise econômica global ele disse que no Brasil não chegaria crise nenhuma, mas apenas uma marolinha. Nada de ondas gigantes. Marolinha. Pois o Brasil não foi dos poucos países que atravessaram bem a fase mais complicada da crise? E não saiu ainda fortalecido? Ninguém viu crise passando aqui por perto. Quando ele propôs aos brasileiros aumentar o consumo para combater a crise, pensei: isso não vai dar certo. E não é que deu? Tudo dá certo para ele. Tudo o que toca vira ouro. Cava um buraco no chão e jorra petróleo. Lula perdoou as dividas externas de vários países mais pobres, e pagou a nossa. Zerou nosso déficit eterno para com o FMI. Nós que aprendemos com Delfim Netto que divida não se paga, se administra. Lula pagou. Ele é o cara, disse o presidente Obama dos EUA. E o Brasil está bombando. Nossos históricos índices de desemprego estão baixando e baixando; a economia está movimentada como nunca. O País tem dinheiro. Milhões de brasileiros saíram da pobreza. A fome, tema de campanha no inicio de sua gestão, deu lugar para a preocupação com a obesidade. Diminuíram as desigualdades sociais. Sim. Mais crianças na escola, mais jovens na universidade. Lula só fala português e isso basta. Conversa com qualquer um em qualquer língua. Sua fala flui, ele é verborrágico por natureza. Para ele não tem tempo ruim, Na sua cabeça cabe qualquer chapéu, qualquer boné; no seu peito, qualquer camisa. É capaz de se entender tanto com judeus como com muçulmanos. Eles é que não se entendem entre si. Entra a rainha da Inglaterra; não tem problema. Sua popularidade é enorme: nada a abala. Tornou-se ele maior que seu partido PT e ambos sabem disso. É maior que toda a esquerda brasileira junta e mais qualquer direita. Ele tirou o Brasil da periferia do mundo, lugar ao qual parecia condenado, e colocou-o no centro. Duas coisas aprisionavam o Brasil: a periferia e o futuro. Ele mostrou-nos que o futuro é agora. E o lugar é o centro. Todas as atenções, todas, todos os refletores sobre nós. Ops! Ele põe o quipá na cabeça, inclina-se para Meca, tira os sapatos e bate o pênalti. Aconteceu num estádio de futebol. Instado a tocar na bola, ele não fez só um gesto simbólico com o pé. Não! Descalçou-se, arregaçou as calças, tomou distancia, e ... gol! Para ele sempre é final de campeonato. Numa tarde de sol caminhou, solitário no leito seco do São Francisco, à espera de um desvio. Lula chapéu de couro. Lula cartola de lorde na câmara dos mais comuns. Fala grosso nos sovietes, gola engomada na sede do banco. Marca um churrasco e uma olimpíada. Marca um encontro de gês na esplanada dos mistérios; sete, oito ou vinte no vórtice do planalto central. Lula é um gênio, tudo o que toca vira ouro. Suas diferenças com Fernando Henrique Cardoso talvez nunca sejam superadas. Fernando Henrique é tudo aquilo que ele, Lula, sempre quis ser. A cabeça de Fernando Henrique é responsável pelo sucesso de Lula. Mas Lula é Lula, Fernando Henrique é Fernando Henrique. Um vem do chão batido, o outro, da academia. É norte e é sul. Ambos são relevantes para o Brasil ser o que é. Lula é um gênio como Glauber Rocha é, como Nelson Rodrigues é, como Mané Garrincha é, como Villa Lobos e Vilas Boas.

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Paulo Palladini