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- Paulo Palladini
Lugar de lixo (não) é
na rua
À minha frente
ia uma carroça puxada por um burro. Antes que a ultrapassasse vi
a cena: o condutor estacionou o veiculo, pegou um dos sacos pretos que
transportava e atirou na calçada. Vapt! Deu uma olhada de soslaio,
balançou as rédeas e tocou em frente. Na carroça
tinha muitos outros sacos. Era um desses catadores de materiais recicláveis.
Provavelmente estava descartando o lixo, depois de separar o que lhe convinha.
Porém, não deveria fazê-lo desse jeito, espalhando
o lixo pela cidade. Os catadores têm papel importantíssimo
numa sociedade altamente produtora de lixo. Eles conseguem reciclar grande
parte do material que iria parar nos lixões e aterros. Conseguem
ganhar dinheiro com a atividade e contribuir para a limpeza das cidades
e proteção do meio ambiente. Algumas cooperativas de catadores
ganharam notoriedade nacional, pelo numero de cooperados e volume de material
reciclado. O desequilíbrio está chegando a tal ponto, que
uma garrafa plástica jogada fará diferença na natureza.
Portanto, é inconcebível que um catador jogue, ele próprio,
lixo nas ruas. Se isto acontece é porque falta-lhe consciência
(velha palavra, velha idéia) de sua própria condição
e de seus atos. No fundo age como um capitalista predador, que só
pensa nos seus lucros e despreza as conseqüências de suas ações.
Assim, uma chaminé despejando fumaça, um escapamento aberto
ou um saco de lixo têm igual valia. A menos-valia da natureza. Há
muito que não vivemos mais na natureza selvagem. Nosso ambiente
é urbano, quase totalmente construído pelo homem. Deixamos
pedaços de mata nativa em praças ou jardins domésticos
para nos lembrarmos de como era 500 anos atrás. Mas as máquinas
não param; vão cortando, sulcando e talhando. Anos atrás,
defronte a minha casa, limpamos o terreno para replantar árvores
nativas, que haviam sido dizimadas. O terreno é publico e considerado
área de preservação. No dia seguinte, antes que começássemos
a plantar, tudo estava salpicado de sacos de lixo. E quanto tempo demora
um saco plástico para ser degradado na natureza? Por essas e outras
o Estado de São Paulo quer banir o plástico das embalagens.
Nos supermercados ele seria substituído por tecido, papel ou material
facilmente degradável. Sacos biodegradáveis. A medida, simples
na aparência, não é tão simples. Uma das criticas
que li a respeito questiona se os sacos plásticos de supermercado
não seriam substituídos por sacos domiciliares, igualmente
de plástico, que seriam igualmente lançados na natureza.
Só trocaríamos um saco por outro. De plástico. Espero
que nossas lideranças pensem bem a respeito antes de aprovar uma
medida dessa. Vemos comunidades se preparando para a proteção
integral do ambiente com medidas de alto impacto e abrangência.
Quero viver numa cidade assim, com água tratada, esgoto tratado,
lixo tratado, muita área verde, energia solar. Toda a energia do
planeta vem do sol – já pensaram nisso?
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Paulo Palladini
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