Voltar - Paulo Palladini

Legislação ambiental avança

Na semana passada afirmei aqui, minha vontade de uma lei que fizesse manter de pé a bicentenária figueira do Jardim Morro Azul. Por ela luta a Associação dos Moradores desse bairro, entre os quais me incluo. Hoje leio em A Mococa que a cidade busca certificação como Município Verde pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Muito bem! Isto significa que seus cidadãos querem viver num lugar limpo e despoluído, e que se preocupam com a qualidade do ar que respiram, da terra onde pisam, do alimento que comem, da água que tomam. Pronto – pensei – era o que faltava; nossa figueira está quase salva. O prefeito Toni Naufel, sensível à questão ambiental e ciente dos instrumentos legais necessários para evitar a devastação de preciosos recursos naturais, enviou à Câmara de vereadores vários projetos de lei. Os edis, mocoquenses que respiram do mesmo ar e tomam da mesma água que todos nosotros, transformaram os projetos em leis. Assim foi criado o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, o Comdema pela lei n? 3927 de 3 de setembro de 2009. Cumprimento-os por isso. O Conselho vai zelar pela divulgação e cumprimento de todas as normas relativas à proteção do nosso patrimônio natural e cultural. É ele que vai deliberar sobre os licenciamentos ambientais no município. É isso aí. Em outro ato o prefeito mudou o nome do Departamento de Agricultura e Abastecimento para Departamento de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, sinalizando que o poder público municipal vai centralizar o cuidado ambiental em um de seus órgãos. E para provar que a semana foi mesmo do meio ambiente, outras leis foram aprovadas pela Câmara e sancionadas pelo prefeito. Uma institui a política municipal de proteção aos mananciais de água, destinados ao abastecimento público. Temos o privilégio de habitar uma região provida de água de boa qualidade e quantidade suficiente. Aqui não falta água. Mas se estragarmos nossos rios vai faltar sim. Um dos pontos chave da lei é a proibição de lançar efluentes urbanos e industriais em qualquer corpo de água sem tratamento. Essa é a questão: água servida não pode ser despejada diretamente nos rios, sem que passe por um processo de depuração. Como o lixo não deve ser jogado em qualquer lugar, principalmente nas portas dos outros. Mococa já dispõe de estação de tratamento de água e a lei, agora, garante devolução de água limpa para nossos rios. Falta cuidar melhor do lixo. Por obra de outra lei, também aprovada em 3 de setembro - n? 3924 – toda construção no município só será autorizada se utilizar madeira legalizada. Mais um avanço. Os alvarás que a Prefeitura emite condicionarão a concessão do “habite-se” à comprovação da origem da madeira. A partir de agora construir em Mococa só com madeira de origem legal. Só madeira de lei. Tem mais. Os loteamentos serão obrigados a apresentar projeto de arborização contendo número de espécies de árvores a plantar, tamanho das plantas e responsabilidade por sua manutenção. O loteamento só será aprovado depois de apreciado pelo Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente. Para ser certificada como Município Verde a cidade precisará intensificar sua arborização urbana. Com esse sol africano sobre nossas cabeças, como costuma falar Ana, parece absurdo obrigar o povo a plantar árvore. Esse deveria ser um ato espontâneo por parte da população. Mas não é. Alguém é capaz de derrubar uma árvore porque as raízes danificam a calçada ou porque folhas caem de seus galhos. Tal atitude corresponde, para mim, à do sujeito que abaixa o vidro do carro, e atira uma lata vazia de cerveja. Ora! Leis são expressões de desejos coletivos: árvores em todas as ruas e praças, todos os espaços. Esse é um projeto que o novo Conselho já pode apreciar.

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Paulo Palladini