Voltar - Paulo Palladini

Indignação e cara-de-pau

A semana foi das mais movimentadas, muitas coisas acontecendo e sendo noticiadas ao mesmo tempo. No mundo, no Brasil, na minha cidade, no meu bairro. A banda Filarmônica Mocoquense apresentou-se na Praça Ferdinando Giorgi, Jardim Morro Azul, onde moro: uma agradável manhã de domingo, os vizinhos todos ali, passeando com seus cachorros, num clima bem descontraído. Encontro pessoas que não vejo há muito tempo: uma se recupera de delicada cirurgia, outra conta que o filho terminou a faculdade (medicina), outra perdeu o cachorro em movimentada rua de São Paulo (no dia seguinte, felizmente, reencontrou-o). Enquanto conversamos a Filarmônica executa alguns números do seu repertório (centenário). Carlos Spina é o quinto maestro da banda fundada por Pedro Ângelo Camin em 1892, todos eles de origem italiana. Acho isso uma bela tradição. Mas a banda está ali por enfrentar dificuldades financeiras. Falta dinheiro na sua caixa. Encontro Antônio Ventura, diretor de Cultura do município, que confirma a falta de dinheiro. Pergunto da Casa da Cultura, cuja reforma está em fase final. Ele diz que o maior problema vai ser mobiliá-la e equipá-la. Difícil está o início da administração do prefeito Toni Naufel. Político e administrador experiente, penso que ele logo encontrará o jeito. Tenhamos um pouco de paciência. O Brasil sofreu um pequeno abalo com as notícias de Brasília e de algumas outras cidades. Refiro-me ao caso do Congresso Nacional e aos casos de pedofilia, que, parece, multiplicam-se em série. Não que um tenha a ver com o outro. O Senado descobre que tem pencas de cargos de direção, todos ocupados por indicação política dos nobres senadores. Incrível! Nenhum deles declarou saber algo a respeito. Todos,


todos indistintamente se mostraram indignados, portando aquela mesma cara-de-pau que nunca nos cansamos de eleger. Aí aparece o deputado Clodovil Hernades, em entrevista póstuma, e diz que o Congresso é a cara do Brasil; que não gostamos é mesmo de trabalhar, e por isso elegemos esse tipo de gente. Será? Gostaria de ouvir outras opiniões. Uma coisa é certa: a democracia permite eliminar os muito canalhas dos poderes executivos e legislativos. Porém, não impede que elejamos outros iguais ou piores. Do outro lado da linha do Equador o presidente norte-americano Barack Obama decide fechar a prisão de Guantânamo, assombra-se com os executivos da seguradora AIG, que não querem largar o osso, e dirige-se de modo aberto e respeitoso ao governo e povo iranianos. Bom começo. Vamos aguardar os próximos movimentos desse presidente diferente: ele não tem cão nem gato para levar para a Casa Branca. Notícias sobre casos de pedofilia, incestuosos ou não, ocupam grande espaço nos jornais. Aumentaram as ocorrências ou as denúncias? Parece que ambas. Porque a pedofilia é o exemplo acabado do afrouxamento moral. Romperam-se as barreiras do respeito. Jovens não respeitam os mais velhos, estes abusam dos mais jovens. Traficantes recrutam adolescentes de ambos os sexos, quase crianças, para trabalhar. Lugar de criança é na escola, mas a escola que lhes é oferecida é a do crime. Dentro dos lares não tem mais pai nem mãe. E a responsabilidade pela educação dos filhos é transferida para a escola, cuja tarefa é nobre, mas com certeza não é substituir uma autoridade paterna inexistente.

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Paulo Palladini