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(In)segurança Segunda
feira à noite. Muito calor. Vou ao bairro do Descanso com Ana.
As pessoas estão nas ruas; grupos de quatro a seis moradores formam
rodas e conversam animadamente. Há vários grupos, cadeiras
trazidas de casa. Quem procurávamos estava numa dessas rodas, conversava
com vizinhos. O ar é mais fresco ali na calçada que dentro
de casa. Ana evocou a letra de Gente Humilde (Garoto-Vinícius-Chico):
são casas simples com cadeiras na calçada/e na fachada escrito
em cima que é um lar... Imediatamente pensei no meu bairro, onde
não há cadeiras nas calçadas, nem fachadas escritas:
é um lar. O ato de entrar e sair de casa já comporta riscos.
Notícias de furtos e roubos são frequentes. Muros altos,
cercas eletrificadas, grades, câmeras, alarmes, vigilantes, seguro
residencial. No entanto, muros de quatro metros não nos protegem.
Nada disso aumenta a sensação de segurança. Não
me pareceu que lá no Descanso as pessoas estivessem com medo de
um assalto ou preocupadas com isso. Simplesmente tinham a posse do lugar;
sabem que as ruas lhes pertencem como cidadãos que são.
Os vizinhos conversam, mantém laços de amizade, fazem trocas.
Há solidariedade entre eles. Talvez haja um entendimento de que
integram uma comunidade. Laços fraternos juntam famílias,
talvez há muitas gerações. Penso: são vizinhos
no sentido antigo, comunitário, não apenas vizinhos formais,
que compartilham muralhas. A perda da solidariedade, cimento social, decorre
do individualismo e do isolamento. Onde moramos podemos nem saber o que
se passa ao lado. No máximo Leia
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