Voltar - Paulo Palladini

Para o Fogaça em seu retorno

Fogaça está de volta. Na semana passada foi motivo de matéria do jornal A Mococa. Já podemos vê-lo aqui e ali pela cidade. Participou da recente mostra Artistas da Terra na Casa de Cultura Rogério Cardoso. Desembarcou munido de seus pincéis e suas cores. Em 1993, depois de entrevistá-lo para este mesmo jornal, produzi um texto sobre sua obra. Publicado na edição de 08 de agosto, foi, depois, reproduzido em Pincelada Lírica, de Annita Salles ( São Paulo, 1994), sob o título: Fogaça, o diálogo das emoções. A capa do livro é Nascer da lua cheia no outono em Mococa. Puro Fogaça. Como uma homenagem em seu retorno à terra generosa, eis aqui aquelas palavras outra vez: em 1928 Oswald de Andrade lançou o manifesto Antropófago, dando inicio ao Movimento Antropofágico. A inspiração final do movimento, marco na cultura brasileira, veio de um quadro de Tarsila do Amaral chamado Abaporu, que na língua tupi significa antropófago. O mesmo movimento retomado pelos tropicalistas na década de sessenta, a mesma Tarsila redescoberta por Pedro Fogaça na década de setenta. “Ela é a expressão maior da arte brasileira”, afirmou na entrevista que gravamos em 25 de julho de 1993. Nesse dia, além de Tarsila, sua inspiração maior na pintura, ele falou da trajetória de menino mocoquense a artista consagrado, que é hoje. Foi nas raízes em Capivari que Tarsila buscou sua temática: festas populares, acontecimentos da infância, estórias contadas pelas babás. É na paisagem mocoquense que Fogaça extrai os elementos de sua obra. Trabalhando “quase que em linhas paralelas com o primitivismo, o surrealismo e o cubismo” ele foi percebendo que precisava se “voltar para as raízes do interior”. As lembranças dos bailes no Teatro Variedades inspiraram-lhe as figuras dançantes, bailarinos que pintou na fase primitivista. Sua famosa árvore das mil folhinhas é uma árvore da sua infância, um flamboyant que existia nos jardins do Instituto Oscar Villares. “A lua, que nasce em frente à minha casa aqui em Mococa, tão próxima, tão real”, declarou, é outro elemento constante em suas telas “É a lua do Fogaça”, dizem os amigos, como as casinhas coloridas, limpas e ordenadas, inspiradas nas casas de colonos das fazendas da região. Casas que já não existem mais. Fogaça pinta Mococa. Fogaça pinta Mococa para o mundo. Suas cores são tropicais; seu trabalho busca “o diálogo das emoções”, o diálogo sem palavras, como afirmou. Desde que deixou Mococa em 1970, da primeira exposição individual em 1973 na Associação Cristã de Moços, são duas décadas de pintura, de presença marcante na pintura brasileira. “Eu trabalho com a expectativa da cor, com a reação das pessoas”. Elementos ingênuos com técnica apurada. O artista, que gosta de pintar à noite, ouvindo óperas, parece estar sempre a exclamar, como quando descobriu Tarsila: “É isso o que eu quero fazer!” Para a nossa alegria.

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Paulo Palladini