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- Paulo Palladini Leio
sobre o documentário dirigido pelo cineasta argentino Nicolas Entel:
Pecados de mi padre. Centrado em Juan Pablo Escobar, filho do traficante
colombiano Pablo Escobar, morto pela polícia em 1993, o filme estréia
no Brasil. Pablo Escobar foi o líder do famoso Cartel de Medellin,
responsável por grande parte do tráfico internacional de
drogas e muitos crimes conexos. Foi o maior traficante de cocaína
do mundo. O cineasta encontrou Juan Pablo em Buenos Aires, onde mora,
inclusive sob outra identidade: hoje ele é Sebastián Marroquín.
Mudou de nome, de país, de estilo de vida. Se tivesse seguido o
exemplo do pai já estaria morto. Formou-se em arquitetura e trabalha
na capital argentina, onde mora com a família. Tem 32 anos, mas
durante 15 anos de sua vida foi um exilado; não pôs os pés
em sua terra natal. Compensa prestarmos atenção às
suas palavras. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo ele falou
sobre o documentário: “Eu não tinha mais motivo para
me esconder. Queria compartilhar minha experiência com as novas
gerações, para inspirá-las a se absterem de entrar
no mundo violento do narcotráfico. É uma história
que vale a pena contar para que não se repita”. Ouçamo-lo
mais: “Minha vida esteve cheia de paradoxos. Tive muito e não
pude desfrutar, porque sempre estávamos fugindo de algo ou de alguém.
Tínhamos dinheiro, mas não liberdade. Em certa ocasião,
tivemos muito dinheiro na mão, mas literalmente estávamos
morrendo de fome, porque ninguém podia ir ao supermercado. Ou seja,
o valor daquele dinheiro era relativo, e eu não podia ignorar essas
lições de vida”. Portanto, o todo poderoso chefão
do Cartel de Medellin, que dispunha de milhões de dólares
e da vida de dezenas de pessoas, não podia alimentar a própria
família. Um homem que sentenciou à morte o ministro da justiça
do seu próprio país e também um candidato à
presidência da república, entre outros tantos crimes. Juan/Sebastián
quer se redimir da própria história e da própria
família. Renega sua história, não quer mais ostentar
o nome Escobar na alma. Durante as filmagens manifestou o desejo de se
encontrar com filhos de vítimas de seu pai. O encontro aconteceu.
E foi muito duro para ele: “Comecei a tremer de forma incontrolável”,
relatou. Sua vida atual não tem nada da riqueza que o cercava nos
áureos tempos. “Levo uma vida normal. Sem luxos, pois da
fortuna não sobrou nada. Todos os bens de meu pai estão
confiscados e em mãos de políticos – e não
das vítimas, como deveria ser. Desenho casas e edifícios
para a Argentina e outras partes do mundo. Estou casado com a mulher que
amo e que deu tudo por mim e por minha família. Vivo em um apartamento
alugado e me sinto mais milionário do que antes, porque sou um
homem livre que segue apostando por ser reconhecido como indivíduo
e como filho de Pablo Escobar, mas não como seu cúmplice”.
Juan Pablo Escobar renasceu para uma nova existência, e quer escrever
outra história como Sebastián Marroquín. Leia
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