Feliz Natal leitores. Até 2012Comecei o ano falando dos terremotos políticos que aconteciam no norte da África. E do meu receio de que derrubados os regimes despóticos outros mais cruéis ainda os substituíssem. Minha esperança era: as ditaduras caídas dariam lugar para regimes respeitadores dos direitos dos cidadãos. Estamos vendo que pode não ser assim. Democracia naquela região é um sonho ainda distante. Entrando em março eu falava de carnaval, da festa da alegria, e indagava: “Que tal um mundo onde as máscaras, acabada a festa, possam ser retiradas porque não estão pregadas na cara? Que tal uma festa em que a consequência maior seja a religação da alegria e não a gravidez indesejada, a contaminação pelo HIV, a overdose, o acidente fatal? Ainda em março, no dia 17, aconteceu o lançamento do meu livro – Patogênese, uma introdução ao pensamento de Anibal Silveira – na Sociedade Rorschach em São Paulo. Senti-me realizado como em poucos outros momentos em minha vida. Lá compareceram amigos de várias gerações, desde contemporâneos do Professor, como integrantes das equipes que trabalham comigo em Mococa. Também revi antigos colegas, alguns eu não via desde os anos de formação psiquiátrica. Trinta anos atrás. Ainda no mês de março escrevi A onda gigante, um texto tropicalista, de um jeito que gosto de escrever. Em maio lembrei a luta anti-manicomial (comemorada no dia 18), que ajudou a aprovar a lei 10.216, a lei da reforma psiquiátrica brasileira. Em dez anos de vigência os avanços foram muitos: milhares de leitos hospitalares psiquiátricos fechados e substituídos por serviços alternativos como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e as Residências Terapêuticas (RT). Em Mococa, com apoio do poder público municipal e das Obras Sociais da Paróquia Santa Luzia, brevemente teremos todos os serviços previstos pela reforma: Caps II para pessoas com transtornos mentais, Caps para crianças e adolescentes com transtornos mentais, Caps III para dependentes químicos, que funcionará 24 horas por dia, ininterruptamente, seis residências terapêuticas para ex-moradores de hospitais psiquiátricos, uma oficina de geração de renda para os usuários desses serviços. Poucos municípios do porte de Mococa contam com tudo isso. Depois falei dos ex-presidentes Fernando Henrique e Lula; ambos fizeram o Brasil avançar. E fui assistir no Coreto-encanto à apresentação do Berço do Samba de São Mateus. Em agosto noticiei a volta do pintor Fogaça para Mococa, depois de décadas tocando a carreira em outras plagas. Em setembro falei de crack a partir do caso concreto de uma jovem mocoquense. O governo federal, preocupado com o grave problema das drogas, anunciou grande investimento financeiro, político, policial e técnico no próximo ano. Os defensores da liberação da maconha talvez desconheçam que os traficantes iniciam crianças nas drogas oferecendo-lhes maconha misturada com crack. Elas não sabem disso. Depois de estabelecida a dependência, aí só crack. Como veem, a questão é complicada demais. Com tudo ainda tive tempo de prestigiar o lançamento de mais livros: o Carretel de Orfeu, de Getulio Cardozo da Silva em setembro, Marco Misterioso/ Chão e Sonho, de Assis Lima, em novembro, e O Catador de Palavras, de Antônio Ventura em dezembro. Comemorei com Ana o nascimento dos três filhotes da nossa gata Petit. Aos leitores, que me acompanharam ao longo do ano, desejo um Feliz Natal. Até 2012. Leia
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