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O exame dos médicos O jornal do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) de dezembro de 2009 divulgou os números do exame, aplicado nos estudantes do último ano de medicina. Quase médicos. As provas foram realizadas em setembro e outubro do ano passado. Portanto, hoje, em muitos lugares, serviços de emergência, têm médicos desses atendendo. Até aí nada demais, o caso é que mais da metade dos estudantes foi reprovada no exame. O percentual correto é 56%; isso mesmo, 56% dos que se submeteram ao Exame não atingiram a nota mínima exigida: 6,0. No ano de 2009 exatamente 621 estudantes participaram da primeira fase, que consistiu em 120 questões distribuídas por nove áreas consideradas básicas do conhecimento médico: clínica médica, saúde mental, clínica cirúrgica, ciências básicas, pediatria, saúde pública, obstetrícia, ginecologia e bioética. Curiosamente, os alunos se saíram melhor em bioética e pior em clínica médica. No exame de 2008 foram melhor em saúde mental. Instituído em 2005 para verificar os conhecimentos dos alunos do último ano de medicina no Estado de São Paulo, o exame não é obrigatório, como o da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Dos cerca de 3 mil médicos, que se formam, anualmente, pelo menos um quarto deles costuma participar. Podemos presumir que aqueles que se sentem despreparados nem se inscrevem, o que torna os resultados ainda mais alarmantes. Se dos examinados menos da metade se mostrou apta para o exercício da medicina, imaginemos se o exame fosse obrigatório. O índice de reprovações seria muito maior. Outro dado preocupante é que desde a primeira edição o índice de aprovados vem caindo progressivamente. Naquele ano a aprovação atingiu 68%, em 2006 caiu para 62%, no ano seguinte 44%, em 2008 apenas 39%. Isto mostra que o nível de conhecimento dos estudantes vem caindo sistematicamente. Piores escolas, piores cursos. Ora não é possível que um médico demonstre conhecer apenas 30% dos conteúdos necessários a uma boa prática médica. Esses resultados corroboram o que entidades médicas vêm denunciando há anos: “a deterioração progressiva da qualidade do ensino médico no Estado de São Paulo”. Lamentável, já que se trata de área essencial de cuidado à saúde da população. Acredito que, persistindo esta situação, o exame do Cremesp acabará se tornando obrigatório para os formandos, a exemplo dos advogados, que só podem trabalhar caso sejam aprovados. A medicina é importante demais para ser deixada nas mãos de inaptos. O exame, no entanto, avalia só o aluno. Quando alguém entra numa faculdade não sabe o que esperar ao fim dos seis anos de curso. Os críticos do exame são contrários à penalização do aluno. Defendem o fechamento das más escolas, a proibição da abertura de novas, fiscalização e exigência de qualidade no ensino. Isso é tarefa do governo federal, que não deveria autorizar mais cursos de medicina. O Brasil já forma médicos em número mais que suficiente; pelo jeito está faltando é qualidade. E uma das provas é o exame do Cremesp.
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