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Eu digo não! Meu
filho Gustavo, certa vez, chamou-me a atenção para uma notícia
de jornal. Ela informava que o consumo de Coca-Cola aumentara em 3,5%
naquele ano. Pensei: só algumas pessoas que eu conheço devem
ter contribuído com pelo menos 1%. Nada a estranhar. “Todo
o mundo” toma Coca-Cola. De fato, depois de ver anúncios
do refrigerante em Moscou e em Pequim, quase acabei concordando com a
tese do fim da história e das ideologias, tão em moda há
alguns anos atrás. Mas, passado o impacto inicial, mais recomposto,
concluí, como muitos, ser o acontecido apenas a preponderância
de uma determinada ideologia sobre outra e que a história continua.
Este refrigerante com gosto não se sabe de que constitui, no seu
aspecto simbólico, a expressão máxima do capitalismo.
Pois, sendo um produto absolutamente desnecessário, foi absolutamente
incorporado ao nosso estilo de vida. Aliás, uma das mágicas
do capitalismo é esta: transformar produtos inúteis em necessidades,
quando não em vícios incorrigíveis. Talvez a natureza
social do ser humano deixe-o desprovido da sua capacidade de escolha diante
de algo assim tão imperativo como a frase “beba Coca-Cola”.
Clara, sintética, objetiva. Precisamos de clareza, sínteses
e objetividade. Por isso não resistimos ao apelo direto e sem rodeios.
Mas, se as pessoas não conseguem dizer não é porque
perderam a sua liberdade. Leia
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