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Entre espumas flutuantes Itanhaém. Primeiro, sentado na areia, olhando o mar. O mar que trouxe os primeiros portugueses, intrépidos navegantes, que eram. Que se aventuraram por mares nunca antes navegados. Dentre eles um não era bem português: padre José de Anchieta. Jesuíta, veio catequisar. Ainda anda por esses ares, como as gaivotas que teimavam em nos acompanhar nos longos passeios pela praia. Ana e eu. Conta a lenda que ele gostava de descansar numa pedra com vista privilegiada. Talvez tentasse divisar no infinito o mar de suas Canárias. O lugar ficou conhecido como a Cama de Anchieta. Era 1532. Nossa pátria nascia, ensaiava os primeiros movimentos. Que pensava Anchieta? Tinha ele alguma ideia de nação a construir? Ele que cravou poemas nas areias, unindo a tradição latina europeia e a natureza intocada? Ele que entrou em contato com os habitantes naturais, mostrou-lhes os Evangelhos? Sua escultura na praça da Igreja Matriz de Sant’ Anna mostra um homem forte, caminhando decididamente, olhar fixo para a frente. Traz o crucifixo preso ao cinto, o livro firmemente seguro na mão esquerda. Como vigorosa é a imagem de Nossa Senhora da Conceição no interior da Igreja, cuja construção começou em 1639. Esta nação foi construída com vigor - é a frase que me vem à mente. Itanhaém é a segunda cidade brasileira mais antiga. Por isso conserva esses sítios históricos. Na mesma praça, em frente à Igreja, fica o Museu: uma pequena construção de dois pavimentos. O térreo abrigava a cadeia com duas celas também pequenas: uma para homens, outra para mulheres. Um escada de madeira leva ao pavimento superior. Ali funcionava a Câmara. Municipal. Cadeia em baixo, Câmara em cima. Hoje é tudo museu. Uma urna funerária indígena encontrada nas cercanias contendo restos mortais em seu interior, divide a cena com a memória de Benedito Calixto, pintor e escritor nascido em Itanhaém. Atrás do prédio-museu fica a Casa do Olhar Benedito Calixto, espaço permanente de exposições artísticas. Próximo dali, no alto do morro do Itaguaçú chegamos ao Convento Nossa Senhora da Conceição, cuja construção vem de uma ermida dos primeiros decênios dos 500. Agora é noite. Sentado confortavelmente na varanda do hotel. De frente pro mar. Venta muito, como é próprio do lugar. Ouço o barulho continuo das ondas. Vejo as cadeias de espumas brancas, flutuantes, contra o fundo escuro. Já não vejo água, nem vejo céu, nem vejo mata. Adolescentes jogam futebol na praia. De vez em quando uma pessoa cruza, apressada, meu horizonte, passos acelerados a beira-mar. Dois meninos em bicicletas, seguidos por um saltitante cachorrinho, também passam. Olhos cansados, abro um exemplar da revista Bravo! Além de matéria sobre biografia de Jorge Luis Borges e outra sobre Antônio Nóbrega, dou de cara com a mostra de Iran do Espírito Santo em Belo Horizonte. Suas obras integram este grande arco da arte contemporânea. Para a revista “Iran é um dos mais conhecidos e respeitados artistas brasileiros da atualidade. Suas obras fazem parte de coleções de importantes museus, como o MoMa, de Nova York, e ele já participou da Bienal de Veneza em 1999 e 2007”. É isso aí. Aperto um botão, mando o artigo para Mococa. Vou dormir tranquilo. Leia
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