Voltar - Paulo Palladini

Eleições: sem contradição não há solução

As recentes pesquisas eleitorais – ah! sempre as pesquisas - apontam os favoritos à presidência da república. Ao todo nove candidatos concorrem, mas Dilma Rousseff do PT e José Serra do PSDB aparecem com mais chances. Até pouco tempo atrás Serra liderava, seguido de perto por Dilma. Agora todas as sondagens mostram uma inversão: Dilma em primeiro e Serra em segundo. Não somente isso, mostram Dilma em ascensão e Serra em queda. Alguns mais afoitos já falam em vitória da petista no primeiro turno. O início da propaganda eleitoral gratuita parece consolidar a tendência de crescimento da candidata do PT. O confronto de biografias em que o PSDB tanto apostou ainda não surtiu o efeito esperado sobre os eleitores. É inegável a superioridade da trajetória política de Serra sobre Dilma em qualquer quesito. Afinal, qual é a real participação de Dilma nas grandes questões nacionais? Sem contar que, para o futuro, ela é uma incógnita. O que ela fez até agora, exceto andar a tiracolo do presidente Lula? Serra, parece, não está conseguindo mostrar esses pontos para o eleitorado de modo convincente. A estratégia de se colocar como o melhor para dar continuidade aos projetos nacionais não empolgou. De fato, sua missão é difícil. Embora seja o mais capacitado, como confrontar o presidente Lula, quando ele mesmo diz: Dilma é a melhor opção para sucedê-lo. Depois de 8 anos de governo a popularidade do presidente é altíssima; é muito difícil atacá-lo. Que oposição seria eficaz? Lula articula muito bem politicamente e fala direto ao povo. Serra não tem esse perfil popular e a tentativa de fazê-lo parecer popular só piora as coisas. No fundo essa campanha é a repetição do confronto entre Lula e Serra. Dilma aparece como um apêndice de Lula, e isso deixa-a confortável. Aloísio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo, tenta reproduzir a estratégia de colar em Lula. Ocorre que aqui tal empreitada é mais difícil porque esbarra em Geraldo Alckmin, muito prestigiado pelos paulistas. Serra enfrenta grandes obstáculos para erguer sua candidatura nacional. Para onde quer que se volte, Lula já está lá. Onipresentemente. Acho preocupante que a candidatura petista à presidência da república seja mero reflexo da imagem do presidente Lula. O Brasil precisa e merece muito mais. Isto é, o Brasil precisa de candidatos com idéias próprias e posições firmes, enraizados em políticas de partidos. Serra é tudo isso, mas não está conseguindo demonstrar. O leitor pensa: se é para continuar como está, voto na situação. E tome Dilma. Fico intrigado com a parcela do eleitorado que muda de voto conforme resultado de pesquisa. Se um candidato cresce atrai mais eleitores. Parte do crescimento é inercial, por imitação, quando o eleitor acha que votar num suposto perdedor é desperdiçar o voto. Não concordo com isso. Voto é voto. Se tenho convicção política decido meu voto de acordo com minha consciência política. De que me adianta mudar o voto e posar ao lado do vencedor? Seu candidato não aparece nas pesquisas? Que importa? Vote nele assim mesmo! Acho importante que candidatos de partidos menores tenham chance de crescer. O confronto de idéias e propostas políticas só pode fazer bem à democracia. Os eleitores tem o direito de conhecer bem os postulantes aos cargos públicos. Sem contradição não há solução e o debate é fundamental, já diziam gregos e troianos. Serra é o maior candidato de oposição Que se oponha! Ele se apoia sobre as próprias pernas e não se esconde debaixo das asas de ninguém. Serra tem maturidade para bancar suas próprias propostas para o País. E esta é a sua grande chance.

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Paulo Palladini