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Discos de vinil II Continuo
meu artigo da semana passada a respeito de discos de vinil. Apenas raridades
e curiosidades. Na transição entre musica brasileira e estrangeira
tenho alguma coisa. Exclusivamente Brasil com Sarah Vaughan é uma
delas. O disco é de 1979 e traz participações do
guitarrista Helio Delmiro e do baterista Wilson das Neves. Das nove composições
quatro são de Tom Jobim: Vivo Sonhando, Dindi, Chovendo na Roseira
e Bonita. Tem também Ivan Lins com Abre Alas, Edu Lobo/Torquato
Netto com Pra Dizer Adeus, Luiz Bonfá com Gentle Rain, Roberto
Menescal/ Ronaldo Boscoli com Tetê. A voz inconfundível e
toda a bossa jazzística de Sarah Vaughan. Uma transição
quase ao contrário ocorre com o compactão de Rosa Maria
e Tony Osanah; contém apenas duas músicas: California Dreamin’
interpretada por Rosa Maria de um lado e Summertime II com Rosa Maria
e Toni Osanah do outro. Foi gravado pelo Estúdio Eldorado. Na mesma
linha possuo um disco mais curioso ainda: é London, London. Dos
dois lados a mesma música- titulo; uma gravação de
Gal Costa de 1970 e uma de Caetano Veloso, o autor, de 1971. A capa é
um desenho da bandeira da Inglaterra, país que acolheu Caetano
durante seu exílio, e onde London, London foi composta. Por falar
em exílio, quando o poeta Thiago de Mello voltou, percorreu o Brasil
com um espetáculo pungente, em parceria com o cantor e compositor
Sergio Ricardo. Fui vê-los em São Paulo. Era final da década
de 70, não me lembro exatamente o ano. Thiago de Mello dizia seus
poemas, alternando canções de Sergio Ricardo. Muito tocante
a apresentação, de alguém que voltava do exílio
e queria se impregnar das coisas do Brasil. Eram ainda os anos de chumbo,
e Sergio Ricardo perguntava: que lugar é esse/bato ninguém
abre a porta/ chamo ninguém responde/ grito mas ninguém
vem me escutar/canto ninguém me acompanha/ batuco e não
vejo ninguém sambar... Letras fortes como em Tarja Cravada, sobre
a bandeira brasileira: onde hoje é tarja preta/ lia-se frase otimista.
Era Sergio Ricardo voltando à cena, já morador do Morro
do Vidigal, lançando o LP Do Lago à Cachoeira; 1979. Faz
Escuro, mas eu canto, respondia Thiago de Mello, o grande arauto dos Estatutos
do Homem. Mas de disco em disco não poderia deixar faltar, entre
tantos, o instrumental brasileiro. Poderia citar vários LPs: de
Pixinguinha a Valdir Azevedo, de Altamiro Carrilho a Carlos Poyares. Mas
vou me fixar em dois: ME do gaitista Maurício Einhorn somente com
composições próprias; o autêntico jazz brasileiro,
a autêntica música instrumental brasileira. Gosto da música
instrumental brasileira. E a segunda citação, nessa linha:
o disco de Wagner Tiso, companheiro de Milton Nascimento e Clube da Esquina,
em trabalho solo: Coração de Estudante. Não sei se
sabem, mas Coração de Estudante é composição
sua, como também Nave Cigana, que aparece no disco. O músico
mineiro cercado de teclados por todos os lados. Por falar em Milton Nascimento,
já escrevi aqui sobre Angelus, álbum duplo com participações
tão variadas como Jon Anderson, Robertinho Silva, Ron Carter, James
Taylor, Flávio Venturini, Naná Vasconcelos. O próprio
Milton considera Angelus o Clube da Esquina II. A grande esquina do mundo.
Nesta lista de discos de vinil eu também não poderia ignorar
a suavidade do trio Peter, Paul and Mary, interpretando Bob Dylan, Pete
Seeger e John Denver, nem a punkosidade de Brain Drain dos irmãos
Ramone em 1989. Tudo vinil puro sangue. Puros como a sonoridade de Naná
Vasconcelos em Cego Aderaldo e O Berimbau. LP Saudades, 1979. Leia
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