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Discos de vinil Li,
na semana passada, nestas folhas, artigo sobre discos de vinil. Já
entrei nesse assunto em artigos anteriores. Minha coleção
em vinil não é das maiores, mas tenho algumas preciosidades.
Os primeiros discos foram presentes de aniversário: o LP Help dos
Beatles e um compacto, também dos Beatles, com Hey Jude de uma
lado e Revolution do outro. Ganhei de meu primo Ermani; era carnaval e
chovia muito em Mococa. Um carnaval regado a Hey Jude. O primeiro LP que
comprei mesmo foi Every picture tells a story, de Rod Stewart em 1971.
Fui aumentando a coleção aos poucos. Com a decretação
do fim do vinil cheguei a comprar em sebos; também ganho discos
de quem não tem mais vitrola pra rodar. Já contei como adquiri
o álbum Time out do The Dave Brubeck Quartet. Era uma loja de discos
decorada com vários LPs antigos pregados nas paredes. Um desses
era Time out, famoso disco que contem Take five e o inesquecível
solo de saxofone de Paul Desmond. Pedi que o proprietário despregasse
o disco da parede e localizasse a capa. Rodou, mais chiado que o habitual,
roda até hoje. Muita gente que não tem mais onde rodar seus
discos me presenteia. Assim ganhei Perola Negra de Luiz Melodia e Longe
de Casa de Rolando Boldrin. Num show Ana levou Samambaia de Cesar Camargo
Mariano e Helio Delmiro, no qual o primeiro fez uma dedicatória.
Em outro show comprei Parcelada Malunga de Elomar e Arthur Moreira Lima,
das melhores coisas que já vi e ouvi. Tirando aquela apresentação
de Ravi Shankar no Teatro Municipal de São Paulo em 1972. Ano em
que Paulão, um velho amigo, chegou com um disco explosivo: MC 5.
O que era aquilo? Os precursores do punk, altamente politizados. Mas de
Elomar ainda tenho Nas Barrancas do Rio Gavião e Na Quadrada das
Águas Perdidas, este um LP duplo, capa belíssima, encarte
contendo as letras das canções no elomês original.
Pois Elomar, à maneira de Guimarães Rosa, recriou a língua
do sertão. Perto de um Natal chegou pelo correio um envelope quadrado:
surpresa! dentro o Baile do Menino Deus, obra coletiva de Antonio José
Madureira, Ronaldo Correia de Brito e Francisco Assis de Sousa Lima. Assis
é psiquiatra e tornamo-nos amigos desde a década de 80 e
colegas de consultório em São Paulo. Sua tese de mestrado
virou livro ganhador do Prêmio Silvio Romero: Conto Popular e Comunidade
Narrativa. É letrista no Baile, junto de Ronaldo, médico
em Recife e romancista consagrado. Certa feita fui recebido em seu refugio
no bairro Casa Amarela. E Madureira é ninguém menos que
o compositor e violonista do Quinteto Armorial. Os três se associaram
em mais quatro discos: Arlequim, Lua Cambará, Bandeira de São
João e Pavão Misterioso, que conta também com a colaboração
de Antônio Nóbrega e Éricson Luna. Outra raridade:
o primeiro disco do Duo FEL, contendo só duas musicas: Gismontada
e A Fuga de Djanira Metralha. Um compactão. O Duo ainda lançaria
em LP As Cores do Brasil. Eles acompanharam Tetê Espíndola
no seu maior sucesso: Escrito nas Estrelas. Tenho dela o LP Tetê
Espíndola de 1982, talvez seu melhor trabalho, donde as seminais:
Canção dos Vagalumes, Jaguadarte/Galadriel, Cunhataiporã.
Com dedicatória da autora. Das Gerais possuo Minas-1717-1977 da
Região do Rio das Mortes; composições sacras dos
séculos XVIII e XIX, executadas em antigas partituras pela Lira
Sanjoanense, Orquestra Ribeiro Bastos, Lira Ceciliana e Orquestra Ramalho.
Foram gravadas no interior das igrejas de São Francisco de Assis,
Santo Antônio e Matriz de Prados. Comprei-o numa viagem a São
João Del Rey em 1978. Semana que vem tem mais. Leia
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