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O dia da luta Todo ano trabalhadores mais usuários
de serviços de saúde mental celebram o dia 18 de maio. Desde
1987 a data é lembrada como um marco do Movimento da Luta Antimanicomial,
que junto de outros movimentos sociais, estabeleceu as bases da reforma
psiquiátrica brasileira. Reforma que muito avançou, mas,
no momento, encontra-se sob forte questionamento. Voltaram a sair na imprensa
matérias contrárias ao processo da reforma. De fato houve
muitos avanços nos últimos, mas a necessidade de novos serviços
ainda é grande. Pois o núcleo das medidas – a substituição
de leitos psiquiátricos por ações comunitárias
– vem sendo implementado em ritmo lento. Mais rapidamente se fecharam
hospitais psiquiátricos que se criaram serviços alternativos
às hospitalizações. Isso tem uma explicação.
O fechamento depende mais dos governos centrais, seja federal ou estadual.
Já a abertura dos serviços substitutivos depende de iniciativa
dos municípios. Como são seis milhares em todo o Brasil,
dá para imaginar as dificuldades. Na maioria dos lugares o espírito
da reforma ainda nem chegou, e as pessoas ainda tem internalizada a idéia
de que a melhor forma de lidar com os portadores de desordem mental é
internando-as em algum hospício. A simples implantação
de ações ambulatoriais é muito difícil em
muitos municípios brasileiros: faltam profissionais habilitados;
a maioria não consegue contratar psiquiatras ou enfermeiros espcializados.
Tudo isso torna a tarefa de concretizar a reforma extremante árdua.
Por outro lado há locais onde os avanços são inegáveis.
Podemos dizer com toda a segurança que Mococa está entre
eles. Com 70 mil habitantes a cidade conta com um Caps-ad (Centro de Atenção
Psicossocial para álcool e outras drogas, inclusive tabaco), quatro
residências terapêuticas, uma oficina terapêutica, leitos
para desintoxicação de usuários de drogas e para
transtornos mentais agudos na Santa Casa. Além disso, já
estamos implantando o segundo Caps, esse para transtornos mentais, e três
outros projetos estão em andamento: a ampliação das
residências terapêuticas, uma enfermaria para adolescentes
dependentes químicos graves (de abrangência regional como
o Caps-ad) na Santa Casa, e a reorganização do ambulatório
de saúde mental para crianças e adolescentes. Ótimas
perspectivas. Iniciativa municipal com apoios federal e estadual, e convênio
com as Obras Sociais Santa Luzia. Por tudo isso nossa participação
nas Olimpíadas de Serviços de Saúde Mental, no último
dia 15 em Casa Branca, foi uma festa. Nós, que nunca deixamos de
comparecer desde a primeira edição, comparecemos com equipes
do Caps-ad e da Oficina Terapêutica. Fazemos parte dessa história,
que neste ano contou com a presença de 43 serviços, na maioria
Caps, e quase 2 mil atletas. Em 2012 organizaremos as Olimpíadas
em Mococa, como parte das comemorações dos 10 anos desse
grande projeto de saúde mental, que estamos construindo aqui. Desde
já todos estão convidados para as festas, que devem começar
em 21 de janeiro – dia da abertura da primeira residência
terapêutica em 2002 - e se encerrar em 18 de maio. Serão
organizados encontros científicos, debates com a comunidade, apresentações
e exposições pelos usuários, sessões de filmes,
competições esportivas. Para lembrar que as questões
levantadas pelo binômio saúde/doença mental são
questões da sociedade como um todo. E que o acolhimento e a inclusão
social, o respeito e o bom cuidado, são escolhas, decisões
e atitudes, não um determinismo qualquer. .
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