Voltar - Paulo Palladini

Cultura e educação


Na semana passada falei de artistas plásticos mocoquenses, e fiz alguns breves comentários sobre alguns deles. Não falei, entretanto, de outros como Maciel, também um artista multi-mídia: pintor, fotógrafo, web-design, professor, músico, homem da cultura. Sua guitarra está presente em vários discos da terra, em apresentações com os mais variados formatos. Soa às vezes blues, às vezes jazz, mas sempre na cadência bonita do samba. Uma de suas fotos foi publicada na prestigiada revista National Geografic: trata-se de La Bayadère, e retrata uma cena de dança no Teatro Municipal de Mococa. Carlos Alberto Paladini é outro expoente da cultura mocoquense, que dispensa apresentações, tal a amplitude de sua atuação. Conhecido por Professor Paladini, educou os olhares e as mãos de gerações e gerações de alunos, a quem ensinou os rudimentos das artes plásticas por três décadas no Instituto Oscar Villares. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Em Mococa é o responsável pela criação de todos os museus: Histórico, de Artes Plásticas e de Arte Sacra. Contribuiu grandemente para a formação de seus acervos. Luta pela preservação do patrimônio histórico da cidade, tendo recebido a alcunha de “Guardião da Memória Mocoquense”. Idealizou a construção do memorial Bruno Giorgi. Já escreveu dois livros sobre a história da cidade: Assim Nasceu Mococa e Os Italianos em Mococa. Tem obras espalhadas por praças e prédios: monumento à Revolução Constitucionalista de 1932, na Praça 9 de Julho; Monumento à Bandeira Nacional; murais nos prédios da Caixa Econômica Estadual e da antiga Biblioteca. Decoração do Cine Mococa, duas pinturas de São Francisco e a via sacra na Igreja do Convento São José. Como seu amigo Bruno Giorgi, o escultor mocoquense mundialmente conhecido, o Professor Paladini também defende a função pública da obra de arte, que deve ocupar praças e prédios. O artista vai aonde o povo está. Estou falando de pessoas que fazem da arte sentidos para suas vidas e para as nossas. Pois a cultura é o que há de genuinamente humano em nós. Seres humanos têm historia e cultura. E historia e cultura exigem formação: educação com valores. Aí o bicho pega. Somando famílias desestruturadas e educação formal sofrível, nossas perspectivas não são nada animadoras. O Brasil tem um descompasso enorme entre seu desempenho econômico e a educação que oferece ao seu povo. Se a economia está entre as 10 maiores do planeta, a educação não fica entre as 100 melhores. Um dos nossos maiores desafios é aproximar os parâmetros econômico e educacional. Países de economia mais modesta que a nossa conseguiram. Senão, ficamos na mesma situação que certos jogadores de futebol: saem de favelas, sem qualquer educação familiar ou escolar, e são alçados rapidamente à condição de ídolos milionários. A combinação de ignorância com muito dinheiro não costuma ter bom final. (exemplos não faltam). Porque o dinheiro confere poder e o poder ignorante é simplesmente boçal e cruel. Não quero um beócio como líder de qualquer coisa que seja. O Brasil pode investir mais e melhor em educação, encurtar a distância entre o poder econômico e o nível educacional do povo. Mas é insuficiente; nenhuma escola pode assumir integralmente a educação de nenhum cidadão. Educação começa em casa. E como viabilizar isso clama por criatividade bem acima do que mostramos até agora.

Leia pc.palladini.zip.net
Paulo Palladini