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- Paulo Palladini
Atenção
aos conflitos sociais
Assisti pela TV. O
acontecido se deu em Belo Horizonte na semana passada. Os protagonistas
foram um advogado septuagenário e um jovem policial militar. Dois
homens investidos de funções sociais de respeito à
verdade e às leis. Versão do advogado: estacionou seu carro
em local proibido. Ao ser abordado pelo policial, deu marcha à
ré para posicioná-lo melhor. O policial sacou o revolver
e atirou num dos pneus. Versão do policial militar: Ao abordar
o advogado-motorista, este teria arrancado com violência e tentado
atropelá-lo. Por isso atirou no pneu para advertí-lo. Não
sei no que deu, contudo por uma questão de lógica as duas
versões não se sustentam; uma exclui a outra. Se o advogado
está certo, o policial está errado. E vice-versa. Não
podem estar ambos certos.. Podem estar ambos errados. O mais provável
é que haja distorções nas duas versões sobre
o ocorrido. Um aspecto relevante do nosso funcionamento psíquico
é a influência da emoção sobre a capacidade
intelectual de elaborar os dados da realidade. Sob impacto emocional perdemos
a capacidade de subordinar nossas construções psíquicas
ao mundo exterior. E essa subordinação é um dos princípios
básicos da harmonia mental. O outro é a subordinação
dos impulsos instintivos aos sentimentos sociais. Sempre que predominam,
no comportamento, os impulsos mais básicos, o prejuízo é
da sociabilidade. Se não conseguimos controlar tais impulsos ou
canalizá-los para objetivos sociais o resultado é a violência.
O mesmo impulso que leva a uma ação agressiva pode levar
a uma ação empreendedora. Por isso educação,
no seu mais amplo sentido, é uma resposta. E bom senso; alguem
precisa ter. Por outro lado a sociedade criou instâncias para administrar
conflitos entre seus membros. No caso em tela, tanto o policial como o
advogado foram parar numa delegacia, e o conflito entre os dois passou
para uma esfera de intermediação. O bom senso, que parecia
ter se perdido no momento inicial, impediu que consequencias desastrosas
resultassem das reações dos contendores; caso tentassem
resolver o problema sozinhos. O ambiente social é sempre importante
na contenção de comportamentos inadequados. Por isso, quando
a violência é extrema, podemos questionar a falta ou inoperância
de instâncias sociais mediadoras. A sociedade possui mecanismos
de intermediação, que devem ser acionados sempre que a solução
de um conflito ultrapassa a capacidade resolutiva das partes. A Justiça
é um deles. Porém, existem autoridades sociais reconhecidas,
que também podem exercer esse papel mediador com competência.
Um líder comunitário ou religioso, um grupo de auto-ajuda,
um conselheiro profissional, um professor, um terapeuta de grupo ou casal.
O psicólogo Carl Rogers trabalhou em situações de
conflito na Irlanda do Norte e na África do Sul. Tenho notícia
de grupos em ação em Israel, que tentam aproximar e promover
encontros entre judeus e palestinos. No Brasil há organizações
que atuam em regiões onde há conflitos pela terra. Sempre
que um desentendimento ultrapassa o poder de resolução dos
envolvidos, há possibilidade de recurso a uma instância mediadora.
Isso evita o confronto direto e suas conseqüências, muitas
vezes calamitosas.
Pós
escrito: Ao retornar de uma viagem de férias recebi a notícia
da morte do jornalista Malim Zamarian. Junto minha homenagem à
de todos os que se manifestaram por este colega de letras e mocoquense
veraz.
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Paulo Palladini
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