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O
que é celebridade? Alguém célebre. Quem adquire fama
independentemente de algum mérito. Ou justamente por ser desprovido
de qualquer mérito. Sua existência depende dos meios de comunicação.
Em princípio, qualquer indivíduo, em dado momento, pode
se tornar uma celebridade. No futuro todos terão quinze minutos
de fama. Já ouvimos esta frase, e o futuro já chegou. Ela
contém algo desapontador para quem almeja ser célebre: dura
só quinze minutos. Passa logo. Quando vejo alguma celebridade ou
leio a respeito de alguma, em geral, tenho a sensação de
uma imagem vazia, desprovida de conteúdo. Só imagem. Celebridade
rima com futilidade, rima com mediocridade. Um ficou célebre porque
comeu não sei quantas salsichas durante um programa de televisão.
Outra porque foi à faculdade com o vestido curto demais. Uma garota,
depois de brigar com o namorado, saiu à rua gritando que queria
seu chip de volta. Virou celebridade na internet. Cômica. Mas tem
celebridade sombria, profética e dona da verdade. Sem nenhum humor.
Um jovem socialmente descolado preparou-se com esmero, gravou um vídeo
com sua mensagem ao mundo e atirou em alunos de um colégio, onde
estudara. Tem celebridade que cultua celebridade. Uma dessas comprou,
por uma pequena fortuna, um par de botinas surradas, que pertencera a
um velho ídolo da musica popular. Qualquer objeto vale; um lenço
usado por uma diva menor do cinema mudo. Objetos tornam-se fetiches nesse
universo. O critério maior a ser considerado é que as imagens
sejam vistas por milhões. Isto só é possível
na televisão ou na internet. É nesses meios que as celebridades
nascem e morrem. Uma adolescente mostra seu dormitório vinte e
quatro horas por dia. Um gato faz xixi no vaso sanitário da casa,
filmado pelo celular do dono. Um cachorro que corre atrás do próprio
rabo também vira celebridade. Alguém toca uma corneta idiota,
outro canta um refrão mais idiota ainda. O que resta de tudo isso?
Nada. As imagens vêm e vão, como as ondas do mar. Nada resta.
São imagens vazias. Só entretenimento. Passatempo. Diversão.
Mesmo as imagens terríveis de uma tragédia tornam-se entretenimento.
Não distinguimos mais conteúdos em nossas sagradas telas
planas. Tudo o que passa ali é pura diversão. Igual valor-valor
nenhum. São fórmulas repetidas à exaustão,
um processo sem fim de mesmice mediocrizante. Quanto mais desprovido de
sentido, quanto mais vazio, quanto mais pasteurizado, quanto mais sem
caráter, melhor parece! Nenhum caráter. Por fora bela viola.
É só o que importa. Uma fina estampa. As aparências
são tudo. Nada de crescer, suar, adotar princípios, vivenciar
valores. Como dizíamos em 68: ser consciente. Isto dá trabalho
e cansa. É patético esse mundo das aparências. É
bonito, cheiroso, esticado como manequim de loja. Igualmente oco. Ao virar
a esquina vi uma garota de vestido, salto alto, bolsa, batom, brincando
com seu celular. Tinha três anos de idade! Leia
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