Voltar - Paulo Palladini

Caro eleitor II:

O dia 31 de outubro será o outro grande dia. Iremos às urnas indicar os candidatos que escolhemos para governar. Olha que coisa mais linda: nós, o povo, escolhemos um dos nossos para governar. Não se trata de nenhum monarca hereditário, nem nenhum tirano usurpador. É sempre um dentre nós, que se submete à ordem legal, à vontade popular, às regras democráticas. Isto só é possível mesmo numa democracia. Só numa democracia é possível e desejável a alternância no poder, visões diferentes da realidade político-administrativa. Sonhos diferentes de nação. Devemos, portanto, valorizar todos aqueles que lutaram pela democracia e ajudaram a consolidá-la. Esqueçamos os oportunistas, os muito mentirosos, os muito malandros. Juntemos forças. A tentação autoritária e totalitária é grande. Um indivíduo isolado ou um pequeno grupo por mais maduros e preparados, podem sucumbir às forças instintivas das funções psíquicas, as mais primitivas da personalidade. Podem fazer o indivíduo cair no egoísmo. Para evitar é preciso o concurso de mecanismos reguladores sociais. Só numa democracia é possível o exercício do poder pelo povo e para o povo. E os erros, inevitáveis, podem ser corrigidos. Um líder carismático e popular pode se tornar autoritário e cruel, sem o poder regulador do conjunto da sociedade. Portanto, louvemos a democracia e seus construtores. Quando formos escolher nosso candidato demos preferência àquele que ajudou a construí-la. Deixemos de lado aquele que, eventualmente, conspirou contra a democracia, aquele que aderiu e se beneficiou da corrupção. Para fazer a boa escolha precisamos conhecer o candidato, o que ele pensa, o que diz, o que ele fez e faz. Como podemos escolher representantes dos quais nada sabemos? Todo conhecimento é parcial; mas quanto melhor conhecermos, maiores serão as chances de acertar. Temos, basicamente, dois jeitos de conhecer: através de um corte transversal e de um corte longitudinal. O primeiro mostra a pessoa como ela é no momento, é uma fotografia instantânea. O jeito longitudinal busca a história de vida, assemelha-se mais a um filme que a uma fotografia. O cruzamento desses dois jeitos pode ser muito revelador. O grau de convergência entre o momento e a história é um índice de coerência do candidato. De outro modo, acabamos tomando gato por lebre, confundindo cordeiro com lobo (olhando só para as suas peles), escondendo da mão direita o que a mão esquerda faz. Subvertemos a lógica franciscana de dar e receber. Então, bem observemos e detidamente, as informações que possuímos. Temos diante de nós dois candidatos com suas histórias e seus momentos. Nos projetos administrativos eles nem diferem tanto assim. Pertencem a grupos políticos diferentes, isso sim. Já houve quem sugerisse a união dessas duas grandes forças partidárias - PT e PSDB - ao invés de forçá-las em separado a alianças mais que espúrias. O Brasil só teria a ganhar. Contudo, não é o que vislumbramos no horizonte próximo. O tempo passou na janela. Concluindo, para uma boa escolha eleitoral, acho eu, devemos dar a preferência para aqueles que valorizam a democracia e respeitam as leis, os que conhecemos melhor. Critérios que podem ajudar o caro eleitor a fazer a sua escolha: Dilma Rousseff-PT ou José Serra-PSDB.

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Paulo Palladini