|
Caro eleitor II: O
dia 31 de outubro será o outro grande dia. Iremos às urnas
indicar os candidatos que escolhemos para governar. Olha que coisa mais
linda: nós, o povo, escolhemos um dos nossos para governar. Não
se trata de nenhum monarca hereditário, nem nenhum tirano usurpador.
É sempre um dentre nós, que se submete à ordem legal,
à vontade popular, às regras democráticas. Isto só
é possível mesmo numa democracia. Só numa democracia
é possível e desejável a alternância no poder,
visões diferentes da realidade político-administrativa.
Sonhos diferentes de nação. Devemos, portanto, valorizar
todos aqueles que lutaram pela democracia e ajudaram a consolidá-la.
Esqueçamos os oportunistas, os muito mentirosos, os muito malandros.
Juntemos forças. A tentação autoritária e
totalitária é grande. Um indivíduo isolado ou um
pequeno grupo por mais maduros e preparados, podem sucumbir às
forças instintivas das funções psíquicas,
as mais primitivas da personalidade. Podem fazer o indivíduo cair
no egoísmo. Para evitar é preciso o concurso de mecanismos
reguladores sociais. Só numa democracia é possível
o exercício do poder pelo povo e para o povo. E os erros, inevitáveis,
podem ser corrigidos. Um líder carismático e popular pode
se tornar autoritário e cruel, sem o poder regulador do conjunto
da sociedade. Portanto, louvemos a democracia e seus construtores. Quando
formos escolher nosso candidato demos preferência àquele
que ajudou a construí-la. Deixemos de lado aquele que, eventualmente,
conspirou contra a democracia, aquele que aderiu e se beneficiou da corrupção.
Para fazer a boa escolha precisamos conhecer o candidato, o que ele pensa,
o que diz, o que ele fez e faz. Como podemos escolher representantes dos
quais nada sabemos? Todo conhecimento é parcial; mas quanto melhor
conhecermos, maiores serão as chances de acertar. Temos, basicamente,
dois jeitos de conhecer: através de um corte transversal e de um
corte longitudinal. O primeiro mostra a pessoa como ela é no momento,
é uma fotografia instantânea. O jeito longitudinal busca
a história de vida, assemelha-se mais a um filme que a uma fotografia.
O cruzamento desses dois jeitos pode ser muito revelador. O grau de convergência
entre o momento e a história é um índice de coerência
do candidato. De outro modo, acabamos tomando gato por lebre, confundindo
cordeiro com lobo (olhando só para as suas peles), escondendo da
mão direita o que a mão esquerda faz. Subvertemos a lógica
franciscana de dar e receber. Então, bem observemos e detidamente,
as informações que possuímos. Temos diante de nós
dois candidatos com suas histórias e seus momentos. Nos projetos
administrativos eles nem diferem tanto assim. Pertencem a grupos políticos
diferentes, isso sim. Já houve quem sugerisse a união dessas
duas grandes forças partidárias - PT e PSDB - ao invés
de forçá-las em separado a alianças mais que espúrias.
O Brasil só teria a ganhar. Contudo, não é o que
vislumbramos no horizonte próximo. O tempo passou na janela. Concluindo,
para uma boa escolha eleitoral, acho eu, devemos dar a preferência
para aqueles que valorizam a democracia e respeitam as leis, os que conhecemos
melhor. Critérios que podem ajudar o caro eleitor a fazer a sua
escolha: Dilma Rousseff-PT ou José Serra-PSDB. Leia
pc.palladini.zip.net |