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Caro eleitor: O dia 3 de outubro será o grande dia. Iremos às urnas indicar os candidatos que escolhemos para legislar e governar. Olha que coisa mais linda: nós, o povo, escolhemos alguns dos nossos para governar. Não se trata de nenhum monarca hereditário, nem nenhum tirano usurpador. É sempre um dentre nós, que se submete à ordem legal, à vontade popular, às regras democráticas. Isto só é possível mesmo numa democracia. Só numa democracia é possível e desejável a alternância no poder, visões diferentes da realidade político-administrativa. Sonhos diferentes de nação. Devemos, portanto, valorizar todos aqueles que lutaram pela democracia e ajudaram a consolidá-la. Esqueçamos os oportunistas, os muito mentirosos, os muito malandros. Juntemos forças. A tentação autoritária e totalitária é grande. Um indivíduo isolado ou um pequeno grupo por mais maduros e preparados, podem sucumbir às forças instintivas das funções psíquicas, as mais primitivas da personalidade. Podem fazer o indivíduo cair no egoísmo. Para evitar é preciso o concurso de mecanismos reguladores sociais. Só numa democracia é possível o exercício do poder pelo povo e para o povo. E os erros, inevitáveis, podem ser corrigidos. Um líder carismático e popular pode se tornar autoritário e cruel, sem o poder regulador do conjunto da sociedade. Portanto, louvemos a democracia e seus construtores. Quando formos escolher nossos candidatos amanhã demos preferência àqueles que ajudaram a construí-la. Deixemos de lado aqueles que conspiraram contra a democracia, aqueles que aderiram e se beneficiaram dos ciclos autoritários. Pois ao menor vacilo, eles retomam sem-cerimônia sua veia autoritária. Para fazer a boa escolha precisamos conhecer o candidato, o que ele pensa, o que diz, o que ele faz. Como podemos escolher representantes dos quais nada sabemos? Todo conhecimento é parcial; mas quanto melhor conhecermos, maiores serão as chances de acertar. Temos, basicamente, dois jeitos de conhecer: através de um corte transversal e de um corte longitudinal. O primeiro mostra a pessoa como ela está no momento, é uma fotografia instantânea. O jeito longitudinal busca a história de vida, assemelha-se mais a um filme que a uma fotografia. O cruzamento desses dois jeitos pode ser muito revelador. O grau de convergência entre o momento e a história é um índice de coerência do candidato. De outro modo, acabamos tomando gato por lebre, confundindo cordeiro com lobo (olhando só para as suas peles), escondendo da outra o que uma das mãos faz. Subvertemos a lógica franciscana de dar e receber. Então, bem observemos, detidamente, as informações que possuímos. Como vivemos em cidades, antes que em estados e nação, conhecemos melhor quem está mais próximo. É um critério também geográfico. A grama do vizinho só parece mais verde, o melhor lugar do mundo é mesmo aqui. Como alguém distante pode saber de mim melhor que o próximo? O candidato deve estar familiarizado com os problemas do lugar, para se envolver. Eu não posso votar num candidato do Ceará para governar São Paulo. Concluindo, para uma boa escolha eleitoral, acho eu, devemos dar a preferência para aqueles que valorizam a democracia e respeitam as leis, os que conhecemos melhor; os mais próximos. Tais critérios podem ajudar a fazer uma boa escolha, caro eleitor. Leia
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