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Avaliação das eleições: Dilma presidente

O presidente do PT e coordenador político da transição de governo, José Eduardo Dutra, resumiu bem, e em poucas palavras, o resultado das eleições de outubro: a vitória da coligação governista por uma margem não muito larga de votos foi boa para todos. Ao jornal Folha de São Paulo ele declarou: “Isso é positivo, até porque não se confirmou que haveria uma terra arrasada para a oposição, o que não é bom para o país”. Traduzindo: O PT, Lula à frente, do alto de sua enorme aprovação popular, desenhava uma vitória estrondosa no primeiro turno. Acachapante, diziam muitos. Humilhante, diziam outros. Se isto realmente tivesse ocorrido, o efeito sobre as oposições seria devastador. E um governo sem oposição é quase um desgoverno. Continuou Dutra: “Toda campanha mais polarizada e conflituosa gera sequelas, mas eu não acredito que isso vá perdurar... Nós respeitamos a oposição. Se não fosse pedir demais, a minha expectativa seria que pudéssemos ter um cenário de governo e oposição legítimo... Trabalhar respeitando o papel de cada um, a oposição cumprir seu papel fiscalizador e tentar se credenciar para vir a ser governo em quatro anos, mas eu acho que é possível ter uma relação diferente, mais construtiva”. O PSDB e os demais partidos oposicionistas erraram muito. Algumas avaliações começam a ser feitas. José Serra não chegou a apresentar um programa claro de governo, houve problemas na composição da chapa, no financiamento, nas relações entre os partidos aliados e na articulação da campanha nacional com as campanhas estaduais. Se diminuiu, e muito, o tamanho das bancadas oposicionistas no Congresso, em numero de votos, entretanto, há maior equilíbrio. O eleitorado oposicionista representa praticamente metade do total. O numero de governadores também. O PSDB elegeu o maior numero deles: oito. Correspondem a 47,5% do eleitorado brasileiro. O PT elegeu cinco, assim como o PMDB. A votação de Serra foi expressiva: mais de 43 milhões de votos. Ele venceu Dilma no Acre, no Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo. No entanto, Dilma sobrepujou Serra em 10 milhões de votos só no nordeste. Quanto aos rumos da campanha o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a grande referência do PSDB, ressaltou, na mesma Folha, a pouca importância dada pelo partido à sua própria história. Ao mesmo tempo, segundo ele, tucanos e aliados não souberam apontar para o futuro, descortinar possibilidades. As oposições tiveram dificuldade de falar para o conjunto do eleitorado, e grande dificuldade de lidar com suas contradições e seus conflitos internos. Fernando Henrique também destacou a despolitização da população, em grande parte devido ao predomínio dos publicitários e das pesquisas. As propostas e as falas dos candidatos teriam sido pautadas pelos anseios populares detectados em pesquisas. “Onde é que está a liderança política, que é justamente você propor valor novo? O líder muda, não segue”, disse ele. Liderar é abrir caminhos, não seguir uma cartilha ou um mapa. Enfim, Dilma Rousseff foi eleita, pela maioria dos brasileiros, presidente da República Federativa do Brasil sob decisivo apoio do presidente Lula. Cabe a ela, a partir da posse, tomar as iniciativas e determinar o norte político-administrativo da nossa grande nação verde-amarela. “Tenho grande simpatia por isso”, dissera ela ainda em março de 2009.

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Paulo Palladini