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Hoje,
vamos dar um tempo de futebol. Deixemos a bola rolar na África
do Sul. Vamos falar de arte. Na semana passada A Mococa publicou matéria
de meia página mostrando o trabalho de Euclides Coimbra. Embora
radicado há anos em Ribeirão Preto, ele é artista
mocoquense. E foi premiado em 2010 na Bienal Naif de Piracicaba, um importante
panorama de arte no Brasil, representado por artistas de 15 Estados. Temos
duas telas de Euclides em nossa casa: uma Folia de Reis, que adquiri durante
uma exposição do artista, e uma paisagem rural, Vida na
Roça, generoso presente com que nos brindou. Ambas estão
em nossa sala. Já escrevi aqui que não tinha nenhum José
Coimbra, o pai. Hoje posso dizer que um velho óleo sobre tela do
saudoso, foi-nos ofertado pela família, e está sob nossa
guarda. Acho importante que colecionadores mocoquenses e interessados
em arte, adquiram e guardem obras de conterrâneos. É importante
saber que obras de mocoquenses integram coleções de arte
locais. Temos em casa obras de 19 artistas mocoquenses: Wagner, Tuth Andrade,
Silvia Mollo, Nivaldo da Costa, Magali, Maciel, Laudelino, José
Coimbra, Iran do Espírito Santo, Getulio Cardozo, Euclides Coimbra,
Eliana Galvani, Fogaça, David Campanhã, Carlos Luis da Silva,
Celso Mariano, CA Palladini, Anisio, Ana Palladini. A trajetória
de Ana Palladini merece ser lembrada. Depois de um rápido começo,
em pouco tempo ela firmou um estilo dentro da pintura abstrata. Em 1993
explodiu, ganhando a medalha Bruno Giorgi, e projeção. Participou
de muitos salões, e fez mostras individuais. Levou seus Experimentos
Abstratos para a Galeria de Arte A Hebraica. Quando explodiu, explodiu
em cores, espátulas carregadas de tinta; um toque mágico
que tingia poltronas, as capas dos discos, o telefone, o gato. No ano
da graça Ana ganhou o título de artista plástica
mocoquense conferido pelo Museu de Artes Plásticas Quirino da Silva.
Hoje suportes e tintas dormitam à espera de um recomeço.
Outra trajetória interessante é a de Getulio Cardozo, mais
conhecido como poeta e novelista, no fundo, um artista multimeios, que
tem um trabalho forte na pintura. Iran do Espírito Santo dispensa
comentários, um dos mais importantes artistas brasileiros, de prestigio
internacional. Integra o seleto grupo de artistas contemporaneos reconhecidos
aqui e acolá. Temos dele uma tela de 1975, com certeza uma das
primeiras que pintou, um retrato de sua irmã Marta, ainda adolescente.
Do Fogaça todos conhecem seu estilo, suas paisagens, a lua, as
árvores de sua temática interiorana, a influencia de Tarsila.
Mas poucos conhecem seu trabalho abstrato: presenteou-nos com Caminhos
da Cor de 1987. Grande Fogaça, que voltou a habitar entre nós,
montou curso de pintura e ateliê em Mococa. Existem artistas que
são solares, lineares, outros intermitentes, cujas obras são
expelidas aos solavancos. Partes obscuras. Obras significativas ficam
esquecidas em gavetas e armários, sofrendo os efeitos do tempo
e de mãos desajeitadas. Uns ganham o mundo, outros não saem
do quintal. Entretanto, cada qual do seu jeito, todos são artistas. Leia
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