Voltar - Paulo Palladini


Artistas mocoquenses

Hoje, vamos dar um tempo de futebol. Deixemos a bola rolar na África do Sul. Vamos falar de arte. Na semana passada A Mococa publicou matéria de meia página mostrando o trabalho de Euclides Coimbra. Embora radicado há anos em Ribeirão Preto, ele é artista mocoquense. E foi premiado em 2010 na Bienal Naif de Piracicaba, um importante panorama de arte no Brasil, representado por artistas de 15 Estados. Temos duas telas de Euclides em nossa casa: uma Folia de Reis, que adquiri durante uma exposição do artista, e uma paisagem rural, Vida na Roça, generoso presente com que nos brindou. Ambas estão em nossa sala. Já escrevi aqui que não tinha nenhum José Coimbra, o pai. Hoje posso dizer que um velho óleo sobre tela do saudoso, foi-nos ofertado pela família, e está sob nossa guarda. Acho importante que colecionadores mocoquenses e interessados em arte, adquiram e guardem obras de conterrâneos. É importante saber que obras de mocoquenses integram coleções de arte locais. Temos em casa obras de 19 artistas mocoquenses: Wagner, Tuth Andrade, Silvia Mollo, Nivaldo da Costa, Magali, Maciel, Laudelino, José Coimbra, Iran do Espírito Santo, Getulio Cardozo, Euclides Coimbra, Eliana Galvani, Fogaça, David Campanhã, Carlos Luis da Silva, Celso Mariano, CA Palladini, Anisio, Ana Palladini. A trajetória de Ana Palladini merece ser lembrada. Depois de um rápido começo, em pouco tempo ela firmou um estilo dentro da pintura abstrata. Em 1993 explodiu, ganhando a medalha Bruno Giorgi, e projeção. Participou de muitos salões, e fez mostras individuais. Levou seus Experimentos Abstratos para a Galeria de Arte A Hebraica. Quando explodiu, explodiu em cores, espátulas carregadas de tinta; um toque mágico que tingia poltronas, as capas dos discos, o telefone, o gato. No ano da graça Ana ganhou o título de artista plástica mocoquense conferido pelo Museu de Artes Plásticas Quirino da Silva. Hoje suportes e tintas dormitam à espera de um recomeço. Outra trajetória interessante é a de Getulio Cardozo, mais conhecido como poeta e novelista, no fundo, um artista multimeios, que tem um trabalho forte na pintura. Iran do Espírito Santo dispensa comentários, um dos mais importantes artistas brasileiros, de prestigio internacional. Integra o seleto grupo de artistas contemporaneos reconhecidos aqui e acolá. Temos dele uma tela de 1975, com certeza uma das primeiras que pintou, um retrato de sua irmã Marta, ainda adolescente. Do Fogaça todos conhecem seu estilo, suas paisagens, a lua, as árvores de sua temática interiorana, a influencia de Tarsila. Mas poucos conhecem seu trabalho abstrato: presenteou-nos com Caminhos da Cor de 1987. Grande Fogaça, que voltou a habitar entre nós, montou curso de pintura e ateliê em Mococa. Existem artistas que são solares, lineares, outros intermitentes, cujas obras são expelidas aos solavancos. Partes obscuras. Obras significativas ficam esquecidas em gavetas e armários, sofrendo os efeitos do tempo e de mãos desajeitadas. Uns ganham o mundo, outros não saem do quintal. Entretanto, cada qual do seu jeito, todos são artistas.

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Paulo Palladini