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Passamos,
semana atrás, pelo dia 21 de abril, uma das nossas datas históricas.
Fui pesquisar meus arquivos e descobri que eu nunca escrevi sobre esse
assunto. Talvez por não me sentir suficientemente seguro. Afinal,
o que sei da história do Brasil? Um ou outro fato isolado. Alguns
pensadores afirmam que é assim mesmo, essa sensação
de incompletude, de que falta algo em nosso conhecimento. Isso porque
a historiografia é mesmo sempre incompleta e imprecisa. E também
porque a história é uma interpretação dos
acontecimentos individuais e coletivos. Não podemos ter certeza
de que as coisas aconteceram daquele jeito. A história precisa
ser escrita e reescrita à luz de novos fatos e novas interpretações.
Não só os fatos históricos, os fatos humanos são
assim. A realidade humana é assim. A realidade humana é
subjetiva e simbólica. Queremos torná-la objetiva, a ciência
representa um enorme esforço por tornar a realidade objetiva. Mas
ela própria não escapa às injunções
subjetivas. Pois só podemos captar o mundo com a mente e nossa
mente capta as coisas do seu modo peculiar. Só podemos fazê-lo
através dos sentidos e só podemos interpretá-lo através
do nosso cérebro. O pensamento humano é o grande instrumento
de interpretação do mundo. Pensemos nas divergências
de duas pessoas sobre determinado assunto e já temos uma idéia
de como é difícil atingir um consenso. E é disso
que se trata: consenso. O grande esforço humano é a busca
de consensos, seja sobre uma norma de conduta, o estabelecimento de uma
fronteira, uma descoberta ou um fato histórico. Vou dar um exemplo:
o encadeamento de uma série de acontecimentos culminou com a fundação
da cidade de Mococa. Carlos Alberto Palladini, em seu livro Assim Nasceu
Mococa, descreveu os principais eventos: “Entusiasmado pelo já
considerável movimento agrícola e comercial da região
e contando com a colaboração de José Pereira dos
Santos, Gabriel Garcia de Figueiredo, Diogo Garcia de Figueiredo e José
Gomes de Lima – apesar de não ter cuidado, de imediato, da
construção da capela - Venerando Ribeiro da Silva conseguiu
a criação oficial do povoado, através da lei nº
15, de 25 de fevereiro de 1841. O povoado foi reconhecido e elevado a
Capela Curada pelo bispo D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade,
com o nome de São Sebastião da Boa Vista”. Ocorre
que o aniversário da cidade é comemorado em 5 de abril,
e não em 25 de fevereiro. A fundação de Mococa é
creditada a outra data e outro fato histórico. Apesar dos argumentos
do professor não percebi nenhuma mobilização para
mudar a data e, consequentemente, a idade de Mococa. Se o conjunto de
seus cidadãos reconhecer seus argumentos como os mais lógicos
e corretos, à luz dos fatos históricos que ele apresenta,
haverá um novo consenso. E Mococa já terá, agora,
169 anos. Leia
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