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Ah! Cultura! Leio
resultado de pesquisa realizada por J Leiva Cultura & Esporte/Datafolha/
FGV sobre os hábitos culturais dos paulistas. A pesquisa foi realizada
por amostragem em 82 cidades do Estado de São Paulo. Para os entrevistados
a música é que representa melhor a cultura brasileira. Em
seguida vem o carnaval e logo abaixo o futebol; depois o teatro. Se juntamos
todas as modalidades de esporte citadas, além do futebol, então
esporte salta para o primeiro lugar. Esporte é cultura. Creio que
o resultado coincide com a percepção subjetiva que temos
de nossas mais populares manifestações culturais: música-carnaval-futebol.
Pois cultura não é só o que rola nos salões
eruditos, mas as realizações humanas num sentido bem amplo.
A pesquisa, no entanto, quis saber mais. Perguntou de que atividades culturais
os entrevistados costumam participar: musica-cinema-passeios. Bem, cinema,
mas não numa sala de cinema. A grande maioria dos brasileiros assiste
a seus filmes prediletos em casa. Sair de casa para ir aos teatros ou
museus é coisa para poucos. Ou por desinteresse ou dificuldades
de acesso. Algo chamou minha atenção na pesquisa: 68% dos
entrevistados declararam ler livros. Ora, é muita gente lendo livros,
não acham? É. Praticamente o mesmo número de brasileiros
que freqüentam festas populares ou religiosas. Fato relevante é
a vontade manifesta de que as pessoas consultadas gostariam que sua cidade
contasse com mais equipamentos culturais. É um recado para os administradores
públicos, embora, mesmo onde esses equipamentos existem, eles são
subutilizados, ou as pessoas freqüentam pouco. De qualquer modo há
uma relação dialética aí: algumas modalidades
culturais são pouco prestigiadas porque não existe o habito
de apresenta-las ao publico; não se forma publico. Por outro lado
um publico desejoso por participar, não encontra espetáculos
e eventos disponíveis. É preciso olhar para os dois lados:
formar público e contemplar o público formado. Segundo análise
da pesquisa feita por Laís Bodanzki e Luiz Bolognesi, respectivamente
diretora e roteirista de cinema, para o Jornal Folha de São Paulo,
podemos dizer, à guisa de conclusão: “A derrocada
do espaço público no consumo das artes está ligada
a dois fatos principais: à falta de políticas públicas
em educação e cultura em todas as esferas – do poder
municipal ao federal – e à crescente elitização
das políticas de preços da iniciativa privada. O resultado
é este: o consumo doméstico é elevadíssimo
e o público declinante. É a vitória da pirataria”.
O cuidado que cercou o lançamento de Tropa de Elite 2, dirigido
por José Padilha foi a reação do gato escaldado.
O primeiro Tropa de Elite foi mais visto em versão pirateada que
na original; e antes do lançamento oficial. Leia
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