Voltar - Paulo Palladini


Agora vai!?


Vamos falar de jabulani que é bola que rola. E bóia. Bem, depois daquele começo modorrento a Copa da África deslanchou. As equipes melhores foram se impondo e agora às portas da nova fase, as disputas estão mais vibrantes. Ficou evidente uma coisa: as seleções com ambiente interno conturbado certamente tiveram desempenho pior. E estão para ser eliminadas. A seleção francesa, que viveu na África uma verdadeira tragédia, não passou de dois empates e uma derrota. Fez a pior campanha dentre os detentores de títulos mundiais. A Itália foi claudicando até ser eliminada de modo contundente. E a Alemanha, depois de um começo fulgurante, tropeçou, mas conseguiu firmar-se. A Inglaterra é aquilo de sempre; não tem qualquer jogo de cintura. As seguidas frustrações pelos africanos, de tão repetidas já não surpreendem mais ninguém. Eles seriam a grande sensação, mas não passaram de promessas. Se essa Copa tem alguma surpresa é o desempenho conjunto das equipes sul-americanas. Nosotros estamos muito bem. Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, todas fazem boas campanhas. Dois episódios do jogo entre Brasil e Costa do Marfim merecem ser comentados: gol de Luiz Fabiano e expulsão de Kaká. Ambos poderiam gerar algum questionamento. O espetáculo que o centro-avante deu dentro da área adversária - dois chapéus em diferentes defensores seguidos do gol - ofuscaram uma possível irregularidade: matar a bola no braço. O próprio juiz da partida riu ao conferir com o brasileiro se havia matado a bola no peito, como deve ser. Esse gol lembra Pelé em 1958: chapéu no zagueirão seguido do balançar das redes. Quanto ao Kaká li muitas manifestações de apoio ao seu gesto. Também fiquei contente, embora a agressão não tenha sido aquele golpe de afirmação viril, digamos: de costas para o adversário, quase que só aparou-o com o braço, derribando-o. A esta altura do jogo Kaká já estava cansado de levar pancada dos marfinenses. Como nunca esperamos grosserias da parte dele, seu ato foi uma surpresa e no fundo agradou a todos. Deu em expulsão. Foi uma espécie de “Reage Kaká!” Ele mesmo afirmou, depois, em entrevista, que não tem sangue de barata. Não tem mesmo, que bom! Sua atitude fez-me lembrar de Roberto Carlos. Numa Copa também, depois de ameaças feitas por jogador contrário, encarou-o e pôs as duas mãos no peito do contentor, que recuou. Passei a admirá-lo desde então. Caráter e postura. E por falar nisso gostei também da posição de Pelé perante as constantes provocações de Maradona. O argentino não perde oportunidade para cutucar Pelé. O caso vem de longe e parecia resolvido quando Diego convidou o melhor jogador do mundo em todos os tempos para seu programa de TV. Ambos trocaram bolas no ar e se abraçaram. Mas o portenho continuou provocando. Chegou a dizer que o lugar de Pelé é num museu. Este, por sua vez, descontraído, de bem com a vida, apenas perguntou, sorrindo: que tanto Maradona fala de Pelé? lembra seu nome a todo instante? É que Maradona quer ser visto como maior que Pelé. Mas não é não. Ponto.

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Paulo Palladini