Voltar - Paulo Palladini

O ano décimo

O dia 21 de janeiro tem um significado especial para mim. Foi nesse dia em 2002, que fechava a Clínica de Repouso Mococa e iniciávamos a construção do Projeto de Saúde Mental Santa Luzia. Melhor dizendo: Projeto de Saúde Mental das Obras Sociais da Paróquia Santa Luzia em Convênio com a Prefeitura Municipal de Mococa. O marco inaugural foi esse: portão da Clínica fechado, duas residências terapêuticas abertas. Mais simplesmente: Projeto Santa  Luzia. Os primeiros moradores – a maioria continua no Projeto – foram pacientes da Clinica por muitos anos e, convidados a integrar o primeiro grupo que formamos. Tiveram coragem, pois sua vida fora marcada por transferências entre hospitais, como se mercadoria fossem: tiravam de cá, mandavam pra lá. Por isso seria natural que uma proposta dessas - ir para uma RT - sem que fizessem ideia do que seria aquilo, despertasse desconfianças e recusas. Não foi o que aconteceu. Enquanto a equipe da Secretaria da Saúde cuidava de transferir os internados para hospitais da região, esse grupo aceitou o desafio de montarmos juntos uma RT. Portanto nosso Projeto nasceu ali no Jardim Chico Piscina, onde a primeira residência está instalada até hoje. Os primeiros moradores ainda lá estão: Ditinho, Cláudio, Toinzé, Tadeu. Outros partiram e deixaram saudade.  E foram esses primeiros moradores que abriram espaço para as outras residências (hoje são seis). E para os demais serviços que o Projeto construiu ao longo desse tempo. Neste ano de 2012 concluiremos a expansão da área de saúde mental do município com a implantação de mais um Caps (Centro de Atenção Psicossocial), este para crianças e adolescentes. Já aprovado em todas as instâncias depende só de autorização do Ministério da Saúde para começar a funcionar. Ele assistirá pacientes de 8 municípios da região. A mesma abrangência que tem hoje o Caps ad ( para usuários e dependentes de drogas, incluindo álcool e tabaco). Este, aliás, em breve vai funcionar 24 horas por dia ininterruptamente e terá 8 leitos para acolhimento integral. Portanto, estaremos muito perto da meta que propus há anos: tornar Mococa auto-suficiente em saúde mental. Seis residências terapêuticas, um Caps II para transtornos mentais, um Caps ad III para dependentes químicos, um Caps i para crianças e adolescentes, e uma oficina terapêutica para geração renda. Esta acolherá usuários de todos os serviços, que estejam estáveis e tenham habilidades suficientes para trabalhar e produzir dentro de um espírito cooperativo. Será uma alternativa ao trabalho formal, que muitos pacientes não conseguem mais alcançar. Com tudo isso, e tendo o Projeto chegado onde chegou, nossa palavra para o ano é QUALIDADE. Queremos que as pessoas sejam atendidas com o carinho que elas merecem e com a competência técnica que é nosso dever. A Direção Regional de Saúde de São João da Boa Vista, nas pessoas do seu diretor Benedito Westin e Maristela Ubeda, tem acolhido nossas idéias durante esses anos todos. O prefeito Toni Naufel e sua diretora de saúde Eliana Mazzucato têm sido forte apoio pessoal e institucional. Câmara Municipal e Conselho Municipal de Saúde tem demonstrado sensibilidade para as questões da saúde mental. Não posso deixar de registrar a bonita parceria com as Obras Sociais presididas pelo Padre Celso Abreu de Jesuz, estimulada por Cido Espanha, quando prefeito. E registro, por fim a dedicação de nossas equipes, e seu engajamento em algo que é muito maior que todos nós juntos. 

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Paulo Palladini